
Eventos no Luxemburgo, e outros temas de interesse tais como o FCP... de tudo um pouco se trata neste arrabalde. A palavra burgo ingressou na nossa língua no final do século XI, com o significado de subúrbio ou arrabalde... para mim começou a ter significado em agosto de 2006, mas não significa que seja um burgo de luxo.
domingo, 27 de junho de 2010
Leituras: «Um pai em nascimento», de José Eduardo Agualusa

«A partir de que momento nasce um pai? Com a notícia da sua anunciada paternidade? Quando sonha pela primeira vez com o filho ou vislumbra as suas formas difusas na primeira ecografia? Ao primeiro toque ou ao primeiro choro? De que forma um filho transforma a vida de um pai? E qual é o papel do pai? De que forma pode o pai preparar-se para fazer face aos desafios de guiar uma criança pelo mundo? Como se equilibra a inocência redescoberta com a necessária responsabilidade?
Estas e outras perguntas, de que todos os pais – e mães também - comungam em algum momento, servem de ponto de partida às reflexões e impressões literárias de José Eduardo Agualusa, que aqui partilha a sua forma de nascer e crescer como pai.
As perguntas são de resposta tão difícil como as interrogações curiosas das crianças. As respostas estão dentro de cada um. Mas é magnífico acompanhar o autor nesta viagem pelo mundo de pais e filhos, e descobrir ou reviver os belos momentos da gloriosa experiência da paternidade, ´um tempo de assustadores mistérios, mas também de aliciantes prazeres e descobertas`»
sábado, 26 de junho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
O que fazer no Luxemburgo #046 - semana 24 & 25 de 2010
A Não Perder...
Agenda Associativa - Latina FM
Bloco Informativo - Latina FM
Agenda Cultural - Latina FM
- Todos Domingos (Every Sunday's) - APERO'S JAZZ - Abbaye de Neumünster ( LUXEMBOURG) - 11h30
- Todas Sextas (Every Friday's) - BLUES AFTER WORK - Abbaye de Neumünster ( LUXEMBOURG) - 18h00
- Todas as Quintas (Jeudiscover à l’Exit07) - a partir das 18h00 entrada gratuita
Les jeudis à l’Exit07 sont réservés à des soirées légères et conviviales, où les rencontres entre citoyens et citoyennes autour d’un apéritif ou plus tard d’une bière et de snacks sur fond de musique ou d’installation artistique sont au point de mire. - Todas as Quartas no MUDAM - Wednesdays at MUDAM - 18h00 - 20h30
Luxembourg - Musée d'Art Moderne Grand Duc Jean ( LUXEMBOURG) - Na última quinta de cada mês (JAHdiscover à l’Exit07) - a partir das 18h00 entrada gratuita - O encontro mensal de DUB, REGGAE, DANCEHALL & DUBSTEP
- 27-06-2010 - ROCK-A-FIELD 2010 em Roeser - THE PRODIGY, DEFTONES, KASABIAN; GOSSIP; GHINZU; 30 SECONDS TO MARS; JAN DELAY...
- 18-07-2010 - den Atelier - Morcheeba (com Skye) - Pop-Electro
- 27-09-2010 - Philharmonie - Maria João Pires
- 03-02-2011 - Philharmonie - fadista Ana Moura, mas no Grande Auditório da Philharmonie,
- 01-03-2011 - Philharmonie - O quarteto de concertinas Danças Ocultas (Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel) - apresentação do novo álbum, "Tarab";
- Museu de Arte Villa Vauban - Novidades da reabertura oficial - Uma das novidades do novo museu é que às sextas-feiras, entre as 18 e as 21h, a entrada é livre e após a visita, há um aperitivo-tapas para os visitantes - Consultem o programa cultural e espreitem a novidade que é o Centro de Yoga no website
Diversos:
04-07-2010 - JP Morgan City Jogging (LUXEMBOURG)
Local: Centre-Ville de Luxembourg ( LUXEMBOURG)
Data: 2010-07-04
Hora: 10:00 (início)
Eventos Organizados pelo ONT
- Series of open air Public Concerts, May – September, www.lcto.lu
- Open air festival New Orleans Meets Luxembourg, Whit weekend 21. – 23.5.2010, www.neworleans.lu
- Campaign Summer in the City, 21.6. – 12.9.2010, www.
summerinthecity.lu - Open air classical concert Knuedler goes classic with the Orchestre Philharmonique du Luxembourg, Fête de la Musique, 21.6.2010, www.
fetedelamusique.lu - Open air world music festival MeYouZik, 3.7.2010, www.meyouzik.lu
- Open air rock music festival Rock um Knuedler, 4.7.2010, www.rockumknuedler.
lu - Open air festival Blues’n Jazzrallye, 17.7.2010, www.
bluesjazzrallye.lu - Open air street theatre festival Streeta(rt)nimation, 14.8.2010, www.
streetanimation.lu - Music festival Live at Vauban, October - December, www.liveatvauban.lu
- Fundraising concerts
quinta-feira, 24 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Évora: FEIRA DE S. JOÃO 2010

«Na cidade branca do Alentejo, a Évora dos monumentos, vai realizar-se mais uma feira de S. João que desde a primeira metade do século XVI se efectua, quase ininterruptamente, todos os anos. O tempo vai seguindo o curso normal, os séculos vão-se sucedendo e a feira maior da mais vasta Província de Portugal, atravessando períodos áureos e épocas decadentes, vai sempre atraindo à cidade de Évora os visitantes, os forasteiros e os feirantes.
Se antigamente chegavam à cidade nos típicos “churriões” e “carros de canudo” puxados por mulas cujas guizalhadas estridentes e barulho dos rodados férreos anunciavam a sua passagem nas ruas estreitas e tortuosas da urbe, permaneciam os forasteiros em Évora durante quase toda a época da feira, isto é, da véspera de S. João até ao dia de S. Pedro. Mas hoje os velozes automóveis e as facilidades de deslocação das populações visitantes tornam a estadia limitada a alguns números do programa com um regresso imediato.
Todavia apesar destas facilidades o S. João de Évora é ainda a maior feira do Alentejo, não só pelas transacções que nessa ocasião se efectuam, mas também pelos milhares de pessoas que enchem completamente o Rossio de S. Brás.
É que a feira de S. João é um motivo para mais um passeio à Cidade Museu de Portugal. Isto porque, como já alguém escreveu “nela se documenta inteiramente a génese do que somos, o que temos de lusitanos, de latinos, de árabes e de cristãos se encontra registado dentro dos seus muros”. (...)
Vai realizar-se mais uma feira de S. João e pelos números festivos que se efectuam vai a cidade sair da sua monótona vida quotidiana, vestindo as suas melhores galas para a todos receber com carinho e o prazer duma terra onde viveram Reis e Fidalgos.
Évora, a cidade branca do Alentejo, está em festa para mais uma Feira de S. João.»
Dr. Carvalho Moniz
in “A Feira de S. João de 1960”, Edição do “Jornal de Évora”.
Vindo não sei de onde, aqui vai... "O Alentejano"
O ALENTEJO
Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que à semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar. O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.
Portugal nasceu no Norte mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade, Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo, um homem consegue ver ao longe. Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que para o homem comum fica muito longe, para um alentejano fica já ali. Para um alentejano não há longe, nem distância porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.
Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar... E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina. Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos. D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o Rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os alentejanos estão do nosso lado?» Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve de fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr, não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher.
Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar. E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso, ao mesmo tempo que servem de espelho a quem as ouve. Mas para que uma pessoa se ria de si própria não basta ser ridícula porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama. Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvice diminui-as. Se Hitler e Estaline se rissem de si próprios, nunca teriam sido as bestas que foram. E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis.
Não resisto a contar a minha anedota preferida. Num dia em que chovia muito, o revisor do comboio entrou numa carruagem onde só havia um passageiro. Por sinal, um alentejano que estava todo molhado, em virtude de estar sentado num lugar junto a uma janela aberta. «Ó amigo, por que é que não fecha a janela?», perguntou-lhe o revisor. «Isso queria eu, mas a janela está estragada.», respondeu o alentejano. «Então por que é que não troca de lugar?» «Eu trocar, trocava... mas com quem?» Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas há melhor iguaria do que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. E é o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou no fim da semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!
É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção poderia um homem almejar?
zcc