Eventos no Luxemburgo, e outros temas de interesse tais como o FCP... de tudo um pouco se trata neste arrabalde. A palavra burgo ingressou na nossa língua no final do século XI, com o significado de subúrbio ou arrabalde... para mim começou a ter significado em agosto de 2006, mas não significa que seja um burgo de luxo.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
O que fazer no Luxemburgo #022 - semana 51 & 52 de 2009
O Palhaço
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.
Mário Crespo
in Jornal de Notícias, 14.12.2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Crónica luxemburguesa: Lasauvage - a história da mulher selvagem
Leia na integra a história da mulher selvagem.
Esta história (Geschicht) perde-se na noite dos tempos, quando a localidade (Uertschaft) de Differdange (Déifferdeng) ainda era pouco (wéineg) povoada e que os homens (d’Mënschen) ainda nem sequer (mol net) sabiam que a riqueza do minério (Minnett) daquela (vun däer) região iria dar origem à prosperidade e à riqueza (Räichtum) de todo um país (Land) .
Não muito longe dali (net wäit eweg vun do) , o bosque (de Bësch) luxuriante chamado o "Groussebësch" (grande bosque) nutriu a imaginação do povo (Vollek) trazendo à luz uma lenda (Seechen) que acabou por dar o nome à aldeia (Duerf) da qual hoje aqui (hei) vamos falar – Lasauvage (Zowaasch) . O vale que corre paralelo à fronteira (Grenz) francesa foi unicamente (nëmmen) povoado por volta (ëm) do século XVII e a razão (Ursaach) desse povoamento tardio teve seguramente (ganz bestëmmt) origem na história que, durante séculos (Joerhonnerter) , por ali correu. Dizia-se que naquele vale (Dall) , num buraco (Lach) de um penedo negro e enorme, o penedo de La Cronnière, vivia uma mulher (Fra) selvagem (wëll) que só se alimentava de carne (Fleesch) crua (réi) . A sua cabeleira espessa e comprida (laang) , tão comprida que lhe chegava aos pés (Féiss) e se lhe enrolava à volta do corpo (Kierper) , era o único (war den eentzegen) manto que a cobria. Os olhos (d’Aen) grandes e vermelhos (rout) eram tão grandes que lhe chegavam até (bis) à raiz dos cabelos e brilhavam como se fossem carvões ardentes. Na sua boca (Mond) , enorme, viam-se, não uma (net eng) , mas duas (mee zwou) filas de dentes (Zänn) e a sua voz (Stëmm) profunda (déif) e aguda era como o grito (Kreesch) de uma coruja (Eil) que trespassava o breu da noite – as unhas (d'Neel) espessas (déck) e compridas eram como as garras de uma águia (Adler) .
Quando a mulher selvagem morreu, foi direitinha ao Inferno (Hell) , só que, ao chegar lá, não pôde entrar (eragoen) porque pensaram que se tratava de um animal e que ali não era sítio (Plaz) para ele. Assim, viu-se obrigada (gezwongen) a voltar para a Terra (Äerd) e os habitantes (Awunner) daquela região nunca mais (nie méi) encontraram sossego (Rou) porque o seu espírito (Geescht) errava por ali, noites inteiras, a gritar (jäitzen) desesperadamente.
Passaram uns anos até que um ermita, muito piedoso (fromm), que habitava no bosque (Bësch), conseguiu expulsar o espírito da mulher selvagem para muito longe, lá, para além dos mares. E fê-lo invocando S. Donato e Nossa Senhora do Luxemburgo (Muttergottes vu Lëtzebuerg) . A partir daí (vun do un) , instalou-se a paz (Fridden) naquele "vale da mulher selvagem" começando, a pouco e pouco (lues a lues) , a ser povoado. Ainda hoje (nach haut) se podem ver gravadas no penedo de "La Cronnière" as imagens de S. Donato e de N.S. do Luxemburgo, assinalando assim a "milagrosa invocação".
Foi em 1623 que, no local onde (wou) hoje (haut) se encontra o edifício da escola primária (Primärschoul) , um habitante de Longwy (Lonkesch) instalou um alto forno (héich Uewen) e uma forja (Schmëdd) . Mais tarde (méi spéit) , foram construídos dois outros (zwee aner) altos-fornos e Lasauvage é considerada como a primeira forja, ou a primeira fábrica de ferro do país. Funcionou durante (während) 250 anos, mas, em 1877, a concorrência de outros altos-fornos mais modernos construídos na região, e que utilizavam uma outra (eng aner) qualidade de minério, acabou pour ditar o fim (den Enn) da era industrial daquele vale.
O conde (de Grof) Saintignon, de origem francesa, proprietário da fábrica nos finais do século XIX, princípios do século XX, não querendo deixar morrer Lasauvage, continuou a extrair o minério e, pensando poder ali encontrar (fannen) minas de carvão (Kuel) , mandou fazer algumas (verschidden) foragens. Só que, o que encontrou, foi apenas (et wor nëmmen) água mineral. Não se querendo deixar dar por vencido, lançou um projecto de termas e iniciou a construção de um luxuoso hotel termal. Mas, esse sonho (Dram) não foi avante e as termas nunca chegaram a funcionar. No entanto, ainda hoje se pode ver o "esboço" do que deveria ter sido esse hotel, isto é (dat heescht) , o actual café "Balcon".
Mas a extracção do minério tornou-se rentável e, a tal ponto, que era Lasauvage que fornecia as fábricas de Differdange e de Saulnes (em França).
Durante a Primeira Guerra Mundial (den éischte Weltkrich), o conde de Saintignon recusando-se a fornecer minério à fábrica de Differdange, então ocupada pelos alemães, decidiu encerrar (zoumaachen) as minas e a despedir (entloossen) todos os operários. A partir daí, a localidade perdeu toda a actividade mineira. A sua situação geográfica e os caminhos (Weër) de acesso tornam-na mais próxima (méi no) do território francês do que da cidade vizinha de Differdange, razão pela qual os habitantes só falavam francês (e não luxemburguês) e iam à missa e ao mercado (Maart) , não a Differdange, mas a França.
Uma outra (eng aner) curiosidade é o facto de o cemitério (Kierfecht) se encontrar em território francês, o que, até 1980, impunha a presença de um funcionário (Beamten) francês nos funerais (Begriefnesser) dos habitantes desta pequena povoação luxemburguesa.
Foi igualmente em Lasauvage que o governo (Regierung) luxemburguês mandou reforçar a casa onde residia o responsável da mina, transformando-a em casemata para, em caso (am Fall) de ataque aéreo alemão, poder servir de refúgio à Grã-Duquesa.
A igreja (d’Kierch) , de estilo neogótico, foi mandada construir em 1893 pelo conde de Saintignon e tem por modelo a Santa Capela de Paris. A igreja, cujos materiais são da região (os blocos de pedra são os restos de um alto-forno que ali existia e a madeira provém das matas circundantes), foi consagrada a S. João Batista. Lasauvage pertence à comuna de Differdange, localidade que está geminada com a cidade portuguesa de Chaves.
O "vale da mulher selvagem" é um sítio a descobrir (eng Plaz fir ze entdecken) !
Maria Januário
Foto: Comuna de Differdange
(Rubrica de civilização, cultura e língua luxemburguesas, publicada na segunda e na quarta semana de cada mês; Próxima publicação: 23 de Dezembro)
Portugueses do Luxemburgo são "exemplares" e não "invisíveis", diz investigadora Anne Schiltz
Leia aqui na integra: Portugueses do Luxemburgo são "exemplares" e não "invisíveis", diz investigadora Anne Schiltz
Luxemburgo: APL organizam cursos de línguas e informática
Os cursos estão divididos em vários níveis: principiantes, falsos principiantes e grau intermédio. As aulas vão ser ministrados nas cidades do Luxemburgo e em Esch/Alzette.
As inscrições podem ser feitas na secretaria da associação, pelo tel: 26 56 16 92 (ou através do email: cflh.asbl@gmail.com).
domingo, 6 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
Não percam . . . Director do MUDAM na Latina: Domingo 6, entre as 14h00 e as 15h00
Grande Informação - Passez donc nous voir
O nosso convidado do programa “Passez donc nous voir” deste Domingo é Enrico Lunghi. O Director do Museu de Arte Moderna Grão-Duque Jean, posto que assumiu em Janeiro deste ano, tem vindo a desenvolver um conjunto de actividades destinadas a dinamizar um dos mais emblemáticos museus de arte contemporânea e moderna da Europa. Não perca a conversa com Enrico Lunghi, sobre o seu percurso e as novidades do MUDAM para 2010. “Passez donc nous voir”, Domingo, entre as 14h00 e as 15h00.
O que fazer no Luxemburgo #021 - semana 50 & 51 de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Reinserção dos estrangeiros no Luemburgo
Luxemburgo: CLAE organiza debates sobre reinserção dos estrangeiros
Mais informações podem ser obtidas pelo tel. 29 86 86-1, por correio electrónico anita.helpiquet@clae.lu ou no portal www.clae.lu, na internet.As grandes mudanças do Tratado de Lisboa
Para ler no na integra neste link.
Reino Unido, Irlanda e Dinamarca reforçam as cláusulas de isenção
As grandes mudanças do Tratado de Lisboa
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Exemplo a seguir... ? de forma temporária apenas?
Zapatero vai reduzir dia de trabalho em Espanha
Pedro Duarte
02/12/09 19:45
O primeiro-ministro espanhol anunciou hoje que vai tomar medidas para promover a criação de emprego, incluindo a redução do dia de trabalho.
“Para nos adaptarmos à situação económica actual, são necessárias mudanças para aumentar a flexibilidade nas negociações salariais e promover a redução do dia de trabalho como um ajuste temporário”, afirmou hoje José Zapatero em declarações ao Parlamento espanhol.
O chefe do Governo de Madrid disse também que as reformas do mercado laboral vão incluir acções para ajudar a diminuir o emprego temporário.
Actualmente, Espanha tem uma semana de trabalho de 40 horas, divididas em oito horas por dia.
As medidas de reforma laboral de Zapatero foram anunciadas no dia em que foi conhecido que o número de desempregados registados em Espanha aumentou para 3,87 milhões em Novembro, o valor mais elevado desde 1997.


