Como votou nas últimas legislativas e como vai votar nas próximas?
Eventos no Luxemburgo, e outros temas de interesse tais como o FCP... de tudo um pouco se trata neste arrabalde. A palavra burgo ingressou na nossa língua no final do século XI, com o significado de subúrbio ou arrabalde... para mim começou a ter significado em agosto de 2006, mas não significa que seja um burgo de luxo.
domingo, 13 de setembro de 2009
Opinião de Mário Crespo - 2009-09-07
Na comunicação social o que parece é
2009-09-07
35 anos depois da ditadura, digam lá o que disserem, não volta a haver o Jornal de Sexta da TVI e os seus responsáveis foram afastados à força.
No fim da legislatura, em plena campanha eleitoral, conseguiram acabar com um bloco noticioso que divulgou peças fundamentais do processo Freeport.
Sem o jornalismo da TVI não se tinha sabido do DVD de Charles Smith, nem do papel de "O Gordo" que é (também) primo de José Sócrates e que a Judiciária fotografou a sair de um balcão do BES com uma mala, depois de uma avultada verba ter sido disponibilizada pelos homens de Londres.
Sem a pressão pública criada pela TVI o DVD não teria sido incluído na investigação da Procuradoria-geral da República porque Cândida Almeida, que coordena o processo, "não quer saber" do seu conteúdo e o Procurador-geral "está farto do Freeport até aos olhos".
Com tais responsáveis pela Acção Penal, só resta à sociedade confiar na denúncia pública garantida pela liberdade de expressão que está agora comprometida com o silenciamento da fonte que mais se distinguiu na divulgação de pormenores importantes.
É preciso ter a consciência de que, provavelmente, sem a TVI, não haveria conclusões do caso. Não as houve durante os anos em que simulacros de investigação e delongas judiciais de tacticismo jurídico-formal garantiram prolongada impunidade aos suspeitos.
A carta fora do baralho manipulador foi a TVI, que semanalmente imprimiu um ritmo noticioso seguido por quase toda a comunicação social em Portugal. Argumenta-se agora que o estilo do noticiário era incómodo. O que tem que se ter em conta é que os temas que tratou são críticos para o país e não há maneira suave de os relatar.
O regime que José Sócrates capturou com uma poderosa máquina de relações públicas tentou tudo para silenciar a incómoda fonte de perturbação que semanalmente denunciou a estranha agenda de despachos do seu Ministério do Ambiente, as singularidades do seu curriculum académico e as peculiaridades dos seus invulgares negócios imobiliários.
Fragilizado pelas denúncias, Sócrates levou o tema ao Congresso do seu partido desferindo um despropositado ataque público aos órgãos de comunicação que o investigam, causando, pelos termos e tom usados, forte embaraço a muitos dos seus camaradas.
Os impropérios de Sócrates lançados frente a convidados estrangeiros no Congresso internacionalizaram a imagem do desrespeito que o Chefe do Governo português tem pela liberdade de expressão.
O caso, pela sua mão, passou de nacional a Ibérico. Em pleno período eleitoral, a Ibérica Prisa, ignorante do significado que para este país independente tem a liberdade de expressão, decidiu eliminar o foco de desconforto e transtorno estratégico do candidato socialista.
É indiferente se agiu por conta própria ou se foi sensível às muitas mensagens de vociferado desagrado que Sócrates foi enviando. Não interessa nada que de Espanha não venha nem boa brisa nem boa Prisa porque a criação do clima para este monumental acto censório é da exclusiva responsabilidade do próprio Sócrates.
É indiferente se a censura o favorece ou prejudica. O importante é ter em mente que, quem actua assim, não pode estar à frente de um país livre. Para Angola, Chile ou Líbia está bem. Para Portugal não serve.
sábado, 5 de setembro de 2009
Sefin propõe mais contas bancárias sem comissões
Associação
Sefin propõe mais contas bancárias sem comissões
Lígia Simões
04/09/09 22:44
Associação de defesa dos consumidores bancários vai entregar proposta às Finanças e ao Banco de Portugal.
Alargar o âmbito dos serviços mínimos bancários nas contas à ordem, tornando-os obrigatórios e com menores custos, é o objectivo das propostas que a Associação Portuguesa de Consumidores e Utilizadores de Produtos e Serviços Financeiros (Sefin) vai apresentar ao Ministério das Finanças.
Entre as alterações à actual lei constam a eliminação de encargos ou comissões na constituição, manutenção e gestão nas contas de depósitos à ordem, bem como a movimentação gratuita do respectivo cartão de débito. Seriam ainda eliminadas comissões nas transferências e pagamentos pelo cartão multibanco da factura de serviços essenciais como água, luz e gás.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Polémica à volta do anúncio: "Vocês não estão fartos de clichés?"
"Vocês não estão fartos de clichés?": a polémica instala-se
A campanha que a Samsa Films lançou para promover a recolha de filmes privados dos portugueses tem impressionado mais do que um espectador das salas ecuras do país.
Um anúncio publicitário mostrando os "clichés" relativos aos portugueses e aos luxemburgueses provocou indignação junto de algumas pessoas. O Bomdia.lu sabe que pelo menos uma carta foi transmitida ao embaixador de Portugal no Luxemburgo, solicitando-lhe que tome posição sobre o assunto.
Aqueles que acham o "spot" negativo, usam adjectivos como "patético" ou "desrepeituoso" para o descrever.
Mas o que pretende esse anúncio? Em princípio apenas alertar os portugueses para o facto de se estar a produzir um documentário sobre os portugueses que vivem no Luxemburgo, solicitando a toda a comunidade que envie os seus vídeos privados para os criadores dessse filme que pretenderá "atacar" os clichés relativos aos portugueses aqui radicados - assim foi descrito o seu objectivo quando a imprensa foi informada do projecto.
Tendo em conta a polémica que um simples anúncio está a provocar, o documentário promete ser ainda mais perturbador. Por enquanto, a projecção do anúncio, antes de cada filme que passa nas salas do Utopolis, provoca sempre um estranho mal-estar na sala. Resta saber se é ou não justificado.
Clique aqui para ver o artigo publicado pelo Bomdia.lu sobre esta iniciativa
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
A Lei de Murphy
A Lei de Murphy é um ditado popular da cultura ocidental que afirma que "se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará". "Se há mais de uma maneira de se executar uma tarefa ou trabalho, e se uma dessas maneiras resultar em catástrofe ou em conseqüências indesejáveis, certamente será a maneira escolhida por alguém para executá-la". A Lei de Murphy é comumente citada (ou abreviada) como "Se algo pode dar errado, dará" ou ainda "se algo pode dar errado, dará errado da pior maneira possível, no pior momento possível".
domingo, 30 de agosto de 2009
A carteira do alentejano (via MaisÉvora)
Pedro Ferro, in Público, 4 de Setembro de 1993 (via Mais Évora)
"Muitos teimam em ver no Alentejo uma terra árida de religião, sem a capacidade da fé o chamamento do misticismo. É falso. O alentejano tem a fé dentro de uma carteira de plástico. O alentejano é o único ser do mundo que, sem conflitos existenciais e ideológicos, é capaz de trazer na carteira, ao lado do Bilhete de Identidade e da licença do rafeiro, o cartão do Partido Comunista e uma gravura de Nossa Senhora das Relíquias.Abrir a carteira do alentejano é descobrir-lhe a própria alma. E desvendar-lhe as entranhas. Na carteira do homem das planícies está, como rã dissecada no mármore de bioquímico, a revelação de uma fé maior. O alentejano acredita "haver alguém a mandar nisto tudo" - e alarga o gesto a abraçar o mundo. Mas Deus não é para ele figura de altar. Deus é o que o alentejano sabe estar no crescimento do trigo e na fartura do azeite. Sóbrio em tudo, também na relação com o metafísico, o alentejano é avaro de exteriorização. Deus: questão que o alentejano tem consigo mesmo. O alentejano privatiza Deus, carrega, sem espectacularidades, uma religiosidade cósmica e, sobretudo, instintiva. Qualquer coisa que vem dos abismos do tempo.
Ironizava Manuel da Fonseca, nos anos 40, que os homens do Alentejo não entravam na igreja "só por serem obrigados a tirar o chapéu". O alentejano não sabe rezar, nem aprendeu a benzer-se. Em vez disso canta. A única missa a que os homens fazem questão de não faltar é a do Galo, na noite de Natal, mas só "para ouvir os cantores". Ainda pelo Natal, os alentejanos cantam "ao menino". Depois dele, vão de porta em porta cantar "os reis".
Manuel Ribeiro plantou no romance A Planície Heróica um padre a quem os paroquianos só pedem que "trate da sua courelazinha de trigo". Há alguns anos, em Serpa, a procissão fez-se sem padre. Em Beja, o bispo queixava-se ao Diário do Alentejo de ter "a mais pobre diocese do país". O seminário local está às moscas. Para a Igreja o Alentejo é ainda "terra de missão".
Mas os casais casam catolicamente e gostam de baptizar os filhos. Respeitam os santos, a Igreja e as suas manifestações. No entanto, recusam-se a "embarcar na conversa de padres". Ir à Igreja é "coisa de mulheres". E, mesmo estas, indo à missa mais do que meia dúzia de vezes por ano, passam a integrar o rol da "beatagem". O rebanho das "mal governadas", que, "em vez de tratarem da casa, não se tiram debaixo das saias dos santos". O maior azar de um marido, depois de mulher adúltera ou de "mau governo", é casar com uma beata.
Contudo, durante a guerra colonial, o Santuário da Senhora d'Aires, em Viana do Alentejo, encheu-se de ex-votos. A Nossa Senhora da Conceição recebe anualmente milhares de peregrinos em Vila Viçosa e os agricultores dos campos de Mértola e de Castro Verde acendem velas a Senhora de Aracelis, milagreira da chuva.
Há procissões em todas as aldeias. As mulheres integram o cortejo, com vestidos estreados, e os filhos, pela mão, trajados de anjinhos: os homens ficam aos cantos. Tiram o chapéu à passagem da padroeira e seguem depois o desfile atrás da música.
Por instintos que a história lavrou, o Alentejo desconfia da Igreja. Afinal, na lonjura dos séculos XII e XIII, o corcel cristão da chamada Reconquista deu à cruz a forma de uma espada. E, na centúria de seiscentos, a Inquisição de Évora foi, de todas, a que mais lenha juntou para os autos-de-fé. E ainda recentemente, durante o Estado Novo, a Igreja pouco terá feito para se demarcar dos velhos senhores das herdades e das vilas."
sábado, 29 de agosto de 2009
Steps recommended ...
1. Don't let your annoyance show. "Calling someone a control freak, or getting visibly irritated when he leans on you, will only make him think he needs to keep an even closer eye on you," Bernstein says.
And don't even think about trying to discuss the problem: "Forget trying to talk a micromanager out of being one. Even seasoned therapists have trouble convincing the control-obsessed that their behavior might be causing more problems than it's solving."
2. Use reassurance, not recrimination. Take the time before a project begins to get a clear and concrete outline of what your boss wants, when he wants it, and how he wants it done. "Take copious notes," Bernstein says. "There are two reasons for doing this. First, if you look as if you're taking his instructions seriously, he'll worry less about you making 'mistakes.' " And second, if you establish - in writing - a specific, measurable result to be delivered at a specific time, it will come in handy later on when your boss tries to control the process - which of course he will.
3. Give progress reports before he asks for them. "Nothing allays a control freak's fears like excess information," says Bernstein. "Remind him that you are taking the project as seriously as he does."
4. When your boss tries to control your work, ask if this means the end product has changed. This is where you whip out your notes from that initial meeting. "Treat attempts to control the process as requests to change the end product," says Bernstein. "If the ultimate goal isn't affected, why change the process?"
"Needless to say, for this strategy to be effective, you need some history of delivering the goods," he adds. You and your teammates have such a history, right?
5. Keep up the good work. According to Bernstein, if you follow these steps several times - once is not enough - and actually do what you say you're going to do when you say you will do it, your boss will become less worried about your performance and go off to fuss over somebody less responsible.
Meantime, try not to overreact to your wacky boss, Bernstein cautions. "People often respond so viscerally to an over-controlling boss because of their own inner teenager - you know, that voice inside that reacts to overbearing authority with, 'You're not the boss of me,' " he observes. "It's a sort of knee-jerk resistance to arbitrary or unreasonable control." That voice is louder in some folks than in others, he notes, but "I always counsel people not to let their inner teenager make career decisions for them." Noted.
O desafio parte da Samsa e pede-nos: "Mostrem-nos a vossa realidade!"
Os interessado, podem sempre contactar por telefone 4519601 ou por e-mail portugalfilm@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar .

Projecto de Alta Velocidade em Portugal: valor de financiamento assegurado
A informação foi divulgada hoje pela RAVE e refere que o Comité Financeiro da Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T) aprovou em Julho um financiamento de mais 5,4 milhões de euros.
A verba que vai ser disponibilizada inclui-se no plano de Relançamento da Economia Europeia, lançado pela Comissão em resposta à crise económica e financeira que afecta a Europa. A candidatura apresentada pela Rave destina-se ao projecto “Empreitadas preparatórias para a implementação da ligação entre a Terceira Travessia do Tejo e a Estação do Oriente - Lisboa", da Ligação Lisboa – Madrid ( que é projecto prioritário nº3 das RTE-T), preconiza um investimento de 27 milhões de euros. O projecto foi submetido a uma avaliação externa independente e validada pela Agência Executiva da Rede ranseuropeia de Transportes e pela Direcção Geral de Transportes e Energia da Comissão Europeia, e foi seleccionado para financiamento com a taxa máxima de comparticipação de 20 por cento, a que corresponde o montante de 5,4 milhões de euros.
Segundo a Rave, “este financiamento faz parte do programa das Redes Transeuropeias de Transportes para o ano de 2009”, e permite que, com a atribuição deste apoio, o projecto de alta velocidade português tenha já assegurado o financiamento de 389 milhões de euros no âmbito da Rede Transeuropeia de Transportes. Esta decisão deverá ainda ser objecto de ratificação pelo Parlamento Europeu até 16 de Setembro.
Recorde-se que, além destes apoios, o projecto da Alta Velocidade português tem também assegurado o financiamento de 955 milhões de euros no âmbito do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional, através do Fundo de Coesão.
O actual governo anunciou a intenção de não tomar nenhuma decisão definitiva no âmbito destes projectos, que tem vindo a ser alvo de muita polémica e contestação, mas não fez alguma diligência para parar o projecto. A sessão de abertura das propostas para a concessão do segundo troço da linha Lisboa Madrid ( o troço Lisboa-Poceirao, que inclui a Terceira Travessia sobre o Tejo) está marcada para a próxima terça feira.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Rua Sésamo explica crise às crianças
Rua Sésamo explica crise às crianças
Cristina Barreto
26/08/09 15:30
O programa especial da Rua Sésamo contou com a colaboração de vários peritos em economia e relações familiares.
"Com uma taxa de desemprego de 9,4% nos Estados Unidos, são muitas as famílias que sentem de perto os efeitos da crise e nós queremos ajudá-las", afirmou Gary Knell, da Sesame Workshop, a produtora responsável pelo sucesso deste programa infantil.
Neste sentido, a produtora norte-americana decidiu criar um episódio especial dirigido às famílias que enfrentam dificuldades financeiras e que será emitido a 9 de Setembro no canal de televisão PBS, nos EUA.
Para além de ensinar as crianças a poupar e explicar as razões pelas quais muitas vezes os seus pais não podem comprar um brinquedo ou levá-los a jantar fora como era costume, este programa, segundo Knell, ajuda os pais a falarem mais abertamente com os filhos sobre as despesas da casa.
Com os famosos bonecos da Rua Sésamo e a colaboração de vários peritos em economia e em relações familiares foi possível criar um programa que aborda histórias reais vividas por várias famílias, "a quem a crise abalou fortemente, mas que continuam unidos graças ao amor que sentem uns pelos outros", acrescentou o mesmo responsável.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
"Três Portugais" + resposta "O atraso histórico" do Portugal do Sr. Henrique Raposo"
A resposta no blog esquissos: "O atraso histórico" do Portugal do Sr. Henrique Raposo
Não deixa de ser interessante como a imagem que passa do emigrante , continua a ser a mais negativa a mais "pimba e bacoca" e ao mesmo tempo a mais insípida, ignorando por completo os motivos que levaram os emigrantes portugueses a sair do "nosso Portugal", ignorando também a riqueza social e cultural que a diáspora nela transporta e difunde, agravado ainda com o desprezo que se dá ao carinho e afecto que todos estes emigrantes nutrem pelos seus familiares e amigos e porque não do seu país, que será certamente a verdadeira razão pela qual regressam (a ostentação só vem depois).
Pena ainda que a resposta quase enverede pelos mesmo caminhos . . . .
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Sovinas procuram parceiros gastadores
E isto preocupa-me porquê? Por que raio me chamou a atenção!!!
Não sou sovina nem garganêro, oops, gastador.
Estudo
Sovinas procuram parceiros gastadores
Económico
03/08/09 00:50
Um estudo mostra que as pessoas mais poupadas tendem a casar com pessoas esbanjadoras.
É uma espécie de equilíbrio de forças: um estudo recente feito pela Universidade de Northwestern, nos EUA, mostra que a lei da física de que "os opostos atraem-se" também se verifica nos casais.
O estudo revela que as pessoas mais poupadas tendem a casar com pessoas com hábitos esbanjadores.Uma das possíveis explicações para este fenómeno tem a ver com o facto das pessoas que têm dificuldades em gastar o dinheiro, não gostarem dessa sua característica, e como tal, sentem-se atraídas por pessoas que são mais liberais na forma como lidam com o dinheiro.
sábado, 1 de agosto de 2009
Stress Crónico: O cérebro responde e procura a rotina
é que eu moro e trabalho num terceiro andar, e realmente, sempre que estou num elevador, o número 3 é número que procuro .... hummm :(
in publico.pt
Vamos colocá-lo a viver no segundo andar de um prédio. Pode ser? Pronto. Agora, imagine a sua rotina diária. Todos os dias, entra no elevador e carrega no botão 2 para chegar a casa. Porém, se mudar de edifício - suponha que está a visitar alguém -, vai escolher outro piso, adaptando-se a esta nova realidade. O problema é que, segundo o estudo agora publicado na revista Science por investigadores portugueses, quando está sujeito a uma situação de stress crónico o mais provável é que continue a carregar no botão 2, em qualquer elevador, de qualquer prédio. O seu cérebro mudou e agora responde com as acções de rotina.
"O que se percebeu é que, durante a exposição crónica a stress (ou seja, durante algum tempo), há mudanças estruturais no nosso cérebro", resume Rui Costa, um dos autores do artigo publicado hoje na Science e coordenador do departamento de Neurobiologia da Acção da Fundação Champalimaud.
A equipa de neurocientistas estudou três regiões cerebrais que nunca antes tinham sido exploradas nesta associação entre o stress crónico e o processo de tomada de decisão. Procuraram os efeitos no estriado medial e no córtex pré-frontal (associados a comportamentos intencionais) e no estriado lateral (relacionado com os hábitos e comportamentos de rotina). E, segundo explica Rui Costa, nos nossos neurónios que parecem árvores cheias de ramos o stress crónico decepou galhos nas duas regiões ligadas aos comportamentos intencionais e fez nascer novos ramos no campo cerebral da rotina. Na luta de equilíbrios, a rotina parece sair vencedora. E, assim, carregamos no segundo andar de um qualquer elevador.
No fundo, podemos estar perante uma reacção de defesa do nosso cérebro. Sujeitos a tanta agressão continuada (stress crónico), os nossos neurónios tentam poupar energia e "fogem" para a área dos hábitos, que usamos mais, optando desta forma pelas decisões que parecem implicar menos riscos.
Neste estudo, os ratos estudados foram "martirizados" com algumas situações de stress. Durante 21 dias, todos os dias e a diferentes horas, os animais foram alvo de um stress diferente escolhido aleatoriamente. Foram ou imobilizados ou confrontados no seu território com um outro rato agressivo (com uma grelha a separar os dois para aumentar a tensão); ou ainda, num terceiro teste, colocados numa piscina com muros altos, da qual não conseguiam sair. Em resumo, um stress - que, repetido dia após dia, durante três semanas, é definido como crónico. E que, como seria de prever, além dos danos cerebrais teve outras consequências.
Os ratos submetidos a stress crónico perderam massa corporal e aumentaram bastante os níveis de cortisol (respostas fisiológicas ao stress já conhecidas). Como os ratos não reconhecem o dinheiro como recompensa, nada como usar a comida. A "maratona de stress" incluía um convite para carregar numa alavanca que lhes fornecia um petisco. Os animais eram depois presenteados com um manjar com tudo à discrição - uma happy hour de petiscos até se fartarem. Os cientistas mudaram as regras. Depois disso, os ratos eram de novo colocados perante a alavanca dos petiscos. Os stressados continuavam a carregar por uma questão de hábito, os outros tomavam a decisão de não o fazer, adaptando-se à nova circunstância de estarem de "papo cheio".
"Estragos" no cérebro
"Em circunstâncias normais, automatizarmos uma tarefa e libertarmos o cérebro para outras actividades pode ser uma vantagem. No entanto, quando somos colocados num novo contexto, temos de nos conseguir adaptar e reorganizar os nossos circuitos no cérebro. O que acontece depois de um stress crónico é que não há uma reorganização destes circuitos e esta vantagem transforma-se numa decisão errada", esclarece Nuno Sousa, investigador do Instituto de Ciências da Vida e Saúde da Escola Superior de Saúde da Universidade do Minho que integra a equipa de neurocientistas.
Uma situação de stress agudo ou de cansaço também pode levar-nos a recorrer ao botão da rotina, a automatizar processos e usar comportamentos habituais. Porém, quando agimos sob influência de um stress crónico, isso é mais frequente e mais notório, asseguram os neurocientistas que identificaram os "estragos" que este stress deixa no nosso cérebro.
Os danos começam ainda no momento de stress e prolongam-se para além dele. E depois? Ficam para sempre ou, passado algum tempo, são reversíveis? "A verdade é que não sabemos. Em algumas regiões, parece-nos que existem indícios de uma recuperação passadas algumas semanas, mas, no caso dos estriados, ainda não sabemos", nota Eduardo Dias-Ferreira, investigador autor principal do artigo e que integra a equipa da Neurociência da Fundação Champalimaud.
Para mostrar o impacto do stress no processo de tomada de decisão e na organização desses circuitos, o investigador abandona o exemplo do elevador e fala agora de uma bomba de gasolina. "Se estivermos habituados a pôr gasolina sempre na mesma bomba quando estivermos sujeitos a uma situação de stress vamos seguramente para essa bomba. O que se passa com o stress crónico é que, aparentemente, mesmo que os preços aumentem só nesse local, nós vamos insistir nesse comportamento de rotina, dia após dia."
Ainda que, passado um tempo, o comportamento volte ao normal e possa vir a provar-se que os danos no cérebro são provisórios, é importante encontrar formas de evitar que aconteça. Até porque é muito complicado imaginar um cenário onde não somos capazes de responder e adaptar as nossas acções a um novo contexto. Chega a ser perigoso.
Antes de desenhar possíveis estratégias terapêuticas, é preciso perceber melhor o que acontece ao nível dos circuitos neuronais (nas árvores): como se perdem ramos, como se ganham outros, como funcionam os novos que se criaram, como se comporta o ambiente à volta, etc.
Decisões no dia-a-dia
"Temos de perceber o que acontece a nível molecular para identificar possíveis alvos terapêuticos", confirma Eduardo Dias-Ferreira, adiantando que já existe uma "lista de suspeitos".
É que esta revelação sobre a resposta do cérebro ao stress crónico, adianta Rui Costa, pode ter diversas implicações e aplicações. Pode, por exemplo, ajudar a explicar mecanismos existentes em alguns quadros patológicos do foro psiquiátrico, como o comportamento obsessivo compulsivo e outras atitudes ligadas ao vício (comida, jogo, toxicodependência, etc.)
Mas, mais do que nesse campo da saúde mental, Rui Costa está entusiasmado com a aplicação deste conhecimento no estudo dos processos de tomada de decisão no nosso dia-a-dia, sobretudo no mundo da economia. "Acho que este estudo pode ser muito interessante se ajudar a explicar uma série de hábitos de consumo que temos", afirma. Eduardo Dias-Ferreira lembra o exemplo da bomba da gasolina para reforçar este potencial. Além disso, apesar de se ter focado em três regiões do cérebro, o estudo terá levado à identificação de outras regiões afectadas.
Há diferentes tipos de stress. Sabe-se por exemplo que, nalgumas situações, o stress agudo pode até ser benéfico para a eficácia na execução de uma tarefa. Daí que existam pessoas que dizem que funcionam melhor em stress, mas o stress crónico é diferente: "Uma coisa é estarmos stressados porque temos uma apresentação no dia seguinte ou um artigo importante para apresentar. Outra coisa é ter isso todos os dias, durante meses", explica Rui Costa.
Estudos anteriores também já tinham demonstrado a relação do stress com a diminuição do desejo sexual, o enfraquecimento da nossa resposta imunitária ou até com as funções ligadas à memória espacial ou de referência. Nuno Sousa adianta que já participou em trabalhos anteriores que demonstraram que há zonas cerebrais como o hipocampo (área central para a memória e aprendizagem) que, apesar de afectadas, recuperam de uma situação de stress.
Neste estudo, pela primeira vez, os cientistas debruçaram-se sobre o processo de tomada de decisão. Falta saber, por exemplo, se estas zonas também recuperam. Falta saber o que acontece aqui, nesta central cerebral da tomada de decisão, em caso de stress pós-traumático.
E será que há diferenças entre géneros? Será que as mulheres reagem de maneira diferente ao stress crónico num momento de decisão? Como se espera da ciência e da investigação, uma resposta tem sempre esse lado fascinante de nos criar mais uma nova série de perguntas.
sábado, 25 de julho de 2009
sábado, 4 de julho de 2009
O Marketing da Universidade - ... isto faz-me lembrar outros tempos
Opinião
O Marketing da Universidade
Pedro Celeste, Docente da FCEE-Católica
30/06/09 00:05
Será que as Universidades têm sabido colocar em prática a aproximação ao mercado? O Marketing desempenha hoje um papel cada vez mais decisivo no mundo empresarial, designadamente no que respeita à sua responsabilização e capacidade de influência ao nível da Administração. Colabora no desenho de todas as componentes do negócio que interagem com os clientes, contribui para gerar mais valor, diferenciar a oferta e aplicar aquilo que são as "boas práticas" do sector, sobretudo perante desafios de competitividade extremamente exigentes. Nesse sentido, deve reflectir-se sobre uma questão pertinente: será que as Universidades têm sabido colocar em prática a aproximação ao mercado? Ao nível da Formação de Executivos esta questão assume uma importância estratégica. Longe vai o tempo em que para se estudar Marketing a um nível avançado, era necessário frequentar Kellogg, LBS, HEC, IMD ou INSEAD. Hoje podemos fazê-lo em Portugal com a garantia de que encontramos formação de excelência. A Universidade Católica Portuguesa tem reforçado a sua posição no ranking das escolas mais prestigiadas do mundo e é desejável que outras consigam entrar neste escalão. Os motivos que podem explicar algum distanciamento entre a oferta e a procura neste mercado são os seguintes: •Ausência de estudos de mercado, para apurar o que pensam os alunos e demais públicos envolventes no mercado escolar (opinion leaders, docentes, empresas, etc..); •Limitar o Marketing à Comunicação e a Comunicação à Publicidade, inundando as páginas dos jornais e revistas. A intensidade com que se concebem e promovem campanhas publicitárias de todo o tipo e gostos vulgarizam um mercado que se quer distinto e credível; •Perder de vista a dinâmica de ensino e formação, através da cristalização nos processos, conteúdos, produtos, formas de actuar, etc... É aqui que o mundo empresarial faz recair a maioria das suas críticas, assente no distanciamento entre a visão estritamente académica e a realidade empresarial;•Falta de reforço da imagem institucional, que pode ser suprida através de política de construção da identidade da escola com a sua Comunidade (alunos, docentes, ex-alunos, empresas, associações, comunicação social, etc...);•Ausência de bases de dados eficazes, convidando ao recurso a formas de comunicação massificadas como a publicidade, mais caras e menos controláveis. O canal Internet torna-se hoje um dos meios de comunicação de referência (num estudo recente constatou-se que 84% dos potenciais participantes dos cursos de Formação de Executivos, consultam previamente o sítio da escola). •Falta de atitude de marketing, quando não se interioriza a importância crescente que os alunos/formandos assumem na relação de forças. A partilha de uma atitude de marketing da Comunidade Escolar visa a construção de um passa-palavra de sinal positivo, tão eficaz e necessário nos dias de hoje. A comunicação deve assentar naquilo que o mercado considera prioritário e tem por objectivo disseminar os valores pelos quais uma instituição se distingue das demais para melhor. Esse posicionamento deve perpetuar-se e multiplicar-se por todas as formas de comunicação. Onde antes bastava conceber uma solução e posteriormente "vendê-la", agora é necessário medir o seu grau de aceitação e estudar em que condições essa oferta pode ser diferenciada, duradoura e rentável. Alteraram-se as regras do jogo: o aluno/formando passou a chamar-se cliente. A Comunidade Escolar não se fabrica numa agência de publicidade, antes nasce dentro da própria escola: aumentando o valor percebido da instituição e respectivos níveis de satisfação e fidelização, resultantes de uma lógica orientada para os clientes e integrando uma cultura e atitude de marketing, de forma humilde e disseminada por toda a estrutura.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Dia Mundial do Dador de Sangue - Mais vale tarde que nunca... Eu sou dador e tu?
Em 2009, Dia Mundial do Dador de Sangue, a 14 de Junho, enfatiza doações 100 por cento voluntárias e não remuneradas.
Comemora-se, no dia 14 de Junho, o Dia Mundial do Dador de Sangue. O objectivo consiste em criar uma maior consciencialização da necessidade de sangue inócuo para transfusões e da importância do dom de sangue. Será uma ocasião, também, para agradecer aos dadores de sangue.
Em 2009, o Dia Mundial do Dador de Sangue dá uma ênfase renovada ao melhoramento da segurança e à suficiência das reservas de sangue para alcançar doações 100 por cento voluntárias e não remuneradas de sangue e componentes sanguíneos.
Objectivos:
- Recomendar abordagens inovadoras aos países que ainda não atingiram um nível de doações 100 por cento voluntárias, de forma a aumentar a participação comunitária e o envolvimento de jovens, através de programas nacionais para aumentar o número de dadores voluntários, substituir progressivamente a doação família/amigos e eliminar a doação remunerada.
- Convidar os países que já atingiram doações de sangue 100 por cento voluntárias a intensificar os seus esforços, de maneira a aumentar o número de dadores regulares.
- Instar os países que estão a estabelecer ou a expandir programas sobre componentes do sangue para que tais programas tenham por base a doação 100 por cento voluntária e não remunerada.
- Encorajar os países que elaboraram mecanismos para aquisição de produtos de sangue a estabelecer cooperação com outros países para garantir fornecimentos adequados de tais produtos com base em doações voluntárias.
O primeiro Dia Mundial do Dador de Sangue teve lugar a 14 de Junho de 2004. As iniciativas e o interesse generalizado resultaram na aprovação da resolução WHA58.13 da Assembleia Mundial da Saúde de 2005, estabelecendo o Dia Mundial do Dador de Sangue como um evento anual.
O Dia Mundial do Dador de Sangue enfoca a dádiva salvadora de vidas dos dadores de sangue voluntários e não remunerados. Os dadores regulares voluntários são os mais seguros dadores de sangue e a base de reservas de sangue nacionais sustentáveis.
Acompanhando o aumento mundial de dadores voluntários, cresce o número de países que produzem componentes sanguíneos, incluindo células vermelhas, plaquetas e plasma, para satisfazer necessidades específicas de pacientes.
O Dia Mundial do Dador de Sangue é coordenado conjuntamente por quatro parceiros fundadores: a Organização Mundial da Saúde, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, a Federação Internacional das Organizações de Dadores de Sangue e a Sociedade Internacional de Transfusão Sanguínea.
Todos os anos, estas organizações parceiras identificam um país para acolher um evento mundial do Dia Mundial do Dador de Sangue. Este ano é a Austrália, com o apoio do Governo australiano e em associação estreita com a Cruz Vermelha Australiana e o Serviço do Sangue da Cruz Vermelha Australiana.
Para saber mais, consulte:
- OMS - http://www.who.int/worldblooddonorday/ - em inglês
- Instituto Português do Sangue, IP - http://www.ipsangue.org/
in Portaldasaude.pt
terça-feira, 16 de junho de 2009
Idosos que fazem planos vivem mais tempo
Durante o estudo morreram 151 participantes
Um estudo que envolveu um questionário a mais de 1200 idosos mostra que ter um objectivo na vida reduz o risco de ... morte. O mesmo é dizer que prolonga a vida. Os investigadores ajustaram as diversas variáveis envolvidas (idade, sexo e educação) e demonstraram que, independentemente de tudo isso, ter um propósito na vida está associado a uma redução significativa da mortalidade. Segundo o estudo, uma pessoa com um plano para a vida corre metade do risco de morrer nos meses seguintes se a comparamos com alguém sem objectivos. Esta conclusão não é diferente entre homens e mulheres, brancos ou negros e resiste também se considerarmos factores como sintomas de depressão ou outras condições clínicas.
"Associarmos a posse de um propósito de vida à longevidade nas pessoas mais velhas leva-nos à conclusão de que estes aspectos contribuem para um envelhecimento de sucesso", refere Patricia Boyle, que liderou o estudo levado a cabo no Rush Alzheimer's Disease Center. Mais do que a leitura dos efeitos psicológicos que esta estratégia poderá produzir, a especialista diz estar entusiasmada com a possível contribuição que este factor pode ter na saúde.
Os especialistas deixam em aberto a possibilidade do facto de ter um objectivo de vida interferir com outras características demográficas e delegam para futuros estudos a hipótese de algumas variáveis como a religião terem um efeito.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
Grupo de Arraiolos reconhece necessidade de UE se aproximar dos cidadãos
Reunião em Nápoles
Na conferência final do encontro do Grupo de Arraiolos, que decorreu ontem e hoje na cidade italiana de Nápoles, o chefe de Estado anfitrião, Giorgio Napolitano, admitiu que é preocupante a baixa participação nas recentes eleições para o Parlamento Europeu (PE). Napolitano referiu que os cinco Presidentes afirmaram a necessidade de uma "comunicação mais intensa" sobre o trabalho desenvolvido pelo PE e pelas restantes instituições da União Europeia (UE).
O Presidente italiano admitiu igualmente a necessidade de "motivação" para que a UE se afirme perante os seus cidadãos e reconheceu que as instituições europeias "são muitas vezes o bode expiatório" quando os governos têm de tomar medidas impopulares.
O futuro do Tratado de Lisboa
Antes das perguntas dos jornalistas, os cinco chefes de Estado responderam a questões colocadas por estudantes italianos, um dos quais quis saber quais as expectativas do Presidente alemão sobre o processo de ratificação do Tratado de Lisboa, tendo em conta uma petição contrária submetida ao Tribunal Constitucional do país.
Não querendo adivinhar a decisão do Tribunal Constitucional alemão, Horst Kholer disse esperar que seja favorável à ratificação do documento.
Aníbal Cavaco Silva também foi questionado por um estudantes sobre as recentes eleições europeias, tendo reafirmado que não está satisfeito com a reduzida participação dos eleitores e que os governos dos 27 "têm de explicar aos cidadãos que a UE é um valor acrescentado". "A União Europeia tem de convencer os europeus que tem soluções para os problemas", frisou Cavaco Silva, admitindo ser "paradoxal" a reduzida participação dos eleitores com o aumento dos poderes do PE. "Estou optimista sobre o futuro da União Europeia, mas há muito a fazer para convencer os cidadãos que precisam de mais Europa e não menos Europa", disse.
Cavaco Silva - que regressou a Lisboa após o encontro - acrescentou estar "convencido de que os líderes europeus encontrarão respostas adequadas à falta de interesse" dos cidadãos nas eleições.
Horst Kholer defendeu que a UE "pode fazer melhor trabalho em África", ao ser questionado sobre a União para o Mediterrâneo, proposta pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy.
Kholer frisou também que a crise internacional "ainda não acabou" e congratulou-se que a UE, os Estados Unidos e os países do G20 tenham concordado em adoptar medidas para a enfrentar, mas alertou para a necessidade de se evitar políticas proteccionistas.
O Grupo de Arraiolos - assim chamado por o primeiro encontro se ter realizado naquela vila alentejana, em 2003 - reúne Presidentes dos 27 sem poderes executivos, como frisou Giorgio Napolitano. Os chefes de Estado da Letónia, da Polónia e da Finlândia não participaram no encontro de Nápoles, por questões de agenda interna.
A Hungria será o país anfitrião da próxima reunião do Grupo de Arraiolos, ainda sem data marcada.
sábado, 6 de junho de 2009
A queda dos preços
A crise económica está a pressionar os preços em baixa. Ultimamente, têm caído na Irlanda, no Luxemburgo, na Suíça, em Portugal.
E, para além desta queda, que pode ser momentânea, projectam-se reduções anuais nos Estados Unidos, na China, no Japão. Há pessoas inquietas: será que se caminha para uma redução generalizada e sustentada dos preços, a que se dá o nome de deflação? E, se sim, com que consequências para a economia no mundo?
Imagino o senso comum: baixa de preços? É óptimo. Não é. Ao interiorizarmos a ideia de que os preços vão baixar, adiamos tudo para "amanhã", porque é mais barato. E um adiamento generalizado paralisa a economia. Pior do que isso, o movimento pode tornar-se circular: a crise económica gera deflação, que agrava a crise económica, que provoca ainda mais deflação... - um gira girou, até que o círculo se rompa. Foi o que nos anos 90 sucedeu no Japão.
As consequências de uma deflação resumem-se basicamente a três. A riqueza nominal diminui e o endividamento mantém-se, pelo que a dívida relativa aumenta: as pessoas ficam mais pobres. As taxas de juro reais, obtidas ao expurgar-se a inflação, acabam na prática por subir, na exacta medida em que a inflação desce: a vida fica mais difícil. E a componente psicológica faz o resto: com menos dinheiro e dinheiro mais caro está instalado o caos - e o círculo vicioso que o alimenta.
Aqui entram os economistas. Se o movimento circular criou um impasse, quais as políticas mais adequadas para o ultrapassar? Eis o drama: eles não sabem. Os economistas sabem que uma alta inflação se combate subindo as taxas de juro: o modelo está testado e funciona bem. Mas não sabem como se combate a deflação: a descida das taxas esbarra no ponto zero e isso às vezes não chega. Os economistas viraram baratas tontas.
E será que a deflação é mesmo uma ameaça séria? Não creio. O que se passou até agora ficou a dever-se à queda dos preços do petróleo, que entretanto já se inverteu. Receio mais o inverso: antes de a retoma se iniciar, é provável que haja nova pressão sobre os preços, com nova subida dos juros e o consequente arrefecimento económico. Seria o pior de todos os cenários: a estagflação.
Mas os deuses vão estar connosco.