O Centro de Aprendizagem Lucien Huss, da associação Amizade Portugal-Luxemburgo (APL), organiza durante o mês de Janeiro cursos de luxemburguês, francês, alemão, inglês, português e de informática.
Os cursos estão divididos em vários níveis: principiantes, falsos principiantes e grau intermédio. As aulas vão ser ministrados nas cidades do Luxemburgo e em Esch/Alzette.
As inscrições podem ser feitas na secretaria da associação, pelo tel: 26 56 16 92 (ou através do email: cflh.asbl@gmail.com).
Eventos no Luxemburgo, e outros temas de interesse tais como o FCP... de tudo um pouco se trata neste arrabalde. A palavra burgo ingressou na nossa língua no final do século XI, com o significado de subúrbio ou arrabalde... para mim começou a ter significado em agosto de 2006, mas não significa que seja um burgo de luxo.
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Reinserção dos estrangeiros no Luemburgo
Luxemburgo: CLAE organiza debates sobre reinserção dos estrangeiros
Mais informações podem ser obtidas pelo tel. 29 86 86-1, por correio electrónico anita.helpiquet@clae.lu ou no portal www.clae.lu, na internet.
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domingo, 29 de novembro de 2009
Leia na integra a entrevista ao Embaixador de Portugal no Luxemburgo - Jornal Contactom
Embaixador de Portugal no Luxemburgo:"A comunidade portuguesa tem de ser mais ambiciosa"
do Jornal CONTACTO - O Blogue de CONTACTO
A criação de uma escola portuguesa no Luxemburgo assustou as autoridades luxemburguesas e o projecto do Grupo Lusófona ficou em águas de bacalhau. Quem o diz é o embaixador de Portugal no Grão-Ducado. Um ano depois de chegar ao Luxemburgo, José Pessanha Viegas tem outros problemas entre mãos. A crise deixou 10 % dos portugueses no desemprego, que representam 32% do total de desempregados no país, e há muitos em situação precária. A baixa qualificação dos portugueses é outra das dores de cabeça do diplomata, para quem a comunidade portuguesa tem de ser "mais ambiciosa".
CONTACTO: Um ano depois de ter chegado ao Luxemburgo, que retrato faz da comunidade portuguesa?
Embaixador de Portugal no Luxemburgo: O retrato é positivo, com algumas nuances. É uma comunidade que tem duas vagas sucessivas, uma nos anos sessenta, outra mais recente. Curiosamente, é a vaga mais antiga que me dá mais preocupações. Estive hoje [N.d.R: a entrevista ao CONTACTO foi na quinta-feira da semana passada] com o ministro do Emprego e da Imigração, Nicolas Schmit, e fiquei a saber que 32 por cento do total de desempregados são portugueses, o que representa 10 % da população activa portuguesa. São pessoas que ainda não têm idade para a reforma e que estão em situação precária. São empregados pouco qualificados, e a crise no sector da construção afectou-os particularmente. O problema é que não dominam o francês escrito e nem sequer passam nos testes de admissão para poderem receber formação. A comunidade portuguesa funciona ainda muito em circuito fechado, e o Português é a língua utilizada no trabalho e na família. Uma possibilidade que discuti com o ministro Nicolas Schmit seria fazer testes orais de admissão. A outra é dar formação em português, com a colaboração do instituto de formação profissional equivalente em Portugal.
CONTACTO: É um projecto que foi proposto pelo sindicato OGB-L há mais de um ano. O que é que falta para pôr esta ideia em prática?
Embaixador: O ministro do Emprego mostrou uma grande abertura para esta possibilidade. Há que desenvolver os contactos com o IEFP (Instituto de Emprego e de Formação Profissional). Mas deixe-me dizer-lhe, ainda sobre a comunidade portuguesa, que é uma comunidade muito trabalhadora e muito integrada, por quem tenho muito apreço, mas que ainda tem alguns problemas de integração, sobretudo no ensino, por causa da barreira da língua.
CONTACTO: Apesar de o Ministério da Educação luxemburguês defender o ensino integrado da língua materna, continua a haver problemas para organizar os cursos de Português. Em Medernach, onde os cursos integrados foram suprimidos arbitrariamente há alguns anos e substituídos por aulas de Alemão, ainda este ano a escola propôs que as aulas de Português fossem dadas na cantina. Não há aqui um abismo entre o discurso oficial e a prática?
Embaixador: Julgo que não há nenhuma má intenção por parte do Ministério da Educação. Como sabe, as autarquias gozam de grande autonomia no ensino primário em relação ao Ministério da Educação. Penso que há um problema de coordenação entre a administração central e a local. São situações que herdámos e que temos de resolver. Posso garantir-lhe que é uma situação que vamos discutir com a ministra da Educação, com quem temos uma reunião dia 7 de Dezembro.
ESCOLA PORTUGUESA "ASSUSTOU" AUTORIDADES
CONTACTO: Em que fase está a criação de uma escola portuguesa no Luxemburgo? Foi uma proposta do Grupo Lusófona feita há mais de um ano que nunca mais teve resposta.
Embaixador: Foi um dos temas abordados [com a ministra da Educação]. Disse-me que não tinham acolhido essa iniciativa com bons olhos. O próprio Grão-Duque falou-me nisso quando fui apresentar credenciais, há um ano. Veja que este assunto chegou ao mais alto nível. Eu penso que [o projecto não foi bem recebido] devido à própria dimensão da comunidade portuguesa e do esforço de integração desta comunidade no ensino oficial, e dou-lhes razão: a via para a integração da comunidade portuguesa passa pela língua, sem perder as suas raízes ou a sua cultura.
CONTACTO: Mas não há aí desde logo discriminação em relação a outras escolas privadas em língua estrangeira que já existem no Luxemburgo?
Embaixador: Há o Liceu Francês e a Escola Internacional, mas não se esqueça que o Francês é uma das línguas oficiais do país.
CONTACTO: Mas há também uma escola holandesa e até já houve um colégio japonês, ambos subsidiados pelo Estado luxemburguês. A lei prevê a criação e o apoio de escolas internacionais privadas, não é ilegal recusar uma escola portuguesa?
Embaixador: Penso que não houve abertura oficial das autoridades, porque a resposta foi negativa e porque se assustaram com a dimensão da comunidade portuguesa. É um problema de que nunca mais se voltou a falar. O próprio secretário de Estado das Comunidades Portuguesas não voltou a abordar o assunto, e estou em crer que a própria Lusófona desistiu da ideia – pelo menos nunca mais abordaram essa questão.
CONTACTO: O CONTACTO soube esta semana que o Ministério da Educação luxemburguês recusa dar equivalência aos estudos secundários efectuados em Portugal. O que é que a Embaixada de Portugal está a fazer para resolver este assunto?
Embaixador: Não é só no ensino secundário, há também problemas de reconhecimento de equivalências no ensino superior. É uma das questões que vai ser discutida com a ministra da Educação luxemburguesa no dia 7 de Dezembro. Posso admitir que haja diferenças entre os sistemas de ensino dos dois países, mas não percebo que haja dificuldades de equivalência. Mas devo dizer que o relacionamento com a ministra da Educação é muito bom. Estou em crer que há aí um problema de interpretação de documentos que temos de ver se esclarecemos.
"O LUXEMBURGO
FUNCIONA BEM DEMAIS"
CONTACTO: Portugal e o Luxemburgo dizem sempre ter óptimas relações, juram amor eterno, mas depois há barreiras enormes à integração dos imigrantes portugueses.
Embaixador: Amor há, não é é eterno [risos]. O problema no Luxemburgo é que é um país que funciona muito bem, funciona até bem demais. Há muitas regras: o Luxemburgo tem uma organização impecável, é extremamente bem organizado, mas talvez essas regras sejam excessivamente rígidas, e essa rigidez pode dificultar a resolução dos problemas. Mas a nível superior encontrei a maior abertura por parte dos responsáveis e dos ministros. Sobre o problema do desemprego dos portugueses, já falei com o ministro das Finanças, Luc Frieden, com o ministro Claude Wiseler, ministro do Ordenamento do Território – que é casado com Isabel Wiseler, de origem portuguesa –, e hoje com o ministro do Emprego, Nicolas Schmit, e encontrei sempre a maior abertura. Evidentemente que é um país com uma mentalidade diferente, porque há regras e elas têm de ser respeitadas. Mas a comunidade portuguesa também tem de se ajudar a si própria. Não é normal que uma comunidade que representa sensivelmente 16 % da população tenha tão poucos quadros, tão poucos médicos e tão poucos políticos: só há um deputado luso-descendente, o Félix Braz. A comunidade portuguesa tem de ser mais ambiciosa, mas é um passo que só pode ser dado pela segunda geração, que já fala as línguas do país.
CONTACTO: Um ano depois de ter chegado ao Luxemburgo, uma das críticas que lhe fazem é a falta de visibilidade. Não o vemos.
Embaixador: Acho que as pessoas fazem confusão com as funções de um embaixador. Que me perdoem se não vou aos bailaricos, mas a função do embaixador é zelar pelos interesses da comunidade junto das autoridades, e representar as autoridades portuguesas no Luxemburgo. Posso assegurar-lhe que estou a trabalhar.
CONTACTO: Os imigrantes portugueses sentem-se o parente pobre em Portugal e no estrangeiro: há vários problemas que nunca chegam a ser resolvidos.
Embaixador: As várias comunidade s têm sempre a ideia de que são um parente pobre. Já em Toronto, onde fui cônsul, e onde há uma comunidade portuguesa muito maior, queixavam-se do mesmo. Mas posso garantir-lhe que as autoridades portuguesas acompanham os problemas da comunidade portuguesa no Luxemburgo e que Lisboa está ao corrente de tudo o que se passa. A comunidade portuguesa no Luxemburgo é uma das comunidades de eleição do secretário de Estado das Comunidades. No 10 de Junho, na impossibilidade de vir cá o secretário de Estado do Comércio, o secretário de Estado das Comunidades decidiu vir ele próprio pelo apreço que tem pela comunidade. E considero até que a comunidade portuguesa no Luxemburgo está beneficiada: tem um Serviço de Ensino, um Centro Cultural, uma Embaixada, um Consulado.
CONTACTO: Que está sem cônsul de sde Agosto e que tem problemas de pessoal.
Embaixador: O novo cônsul cheg a na sexta-feira e está a decorrer um concurso para recrutamento de pessoal. O Consulado Geral foi muito bem montado pela Dra. Cristina Almeida, mas não é fácil atender 200 pessoas por dia.
NOVAS INSTALAÇÕES DO INSTITUTO CAMÕES À ESPERA DE DINHEIRO
CONTACTO: Uma das críticas feitas ao Instituto Camões é a falta de v isibilidade. Há um ano, foi anunciado que o Estado português pensava arrendar o espaço no rés-do-chão do prédio onde está. O contrato já foi assinado?
Embaixador: O problema são as dificuldades financeiras e orçamentais. O ministro dos Negócios Estrangeiros está muito interessado nisso, mas estamos dependentes do orçamento do próprio Instituto Camões, e como sabe, Portugal debate-se com alguns problemas orçamentais. Mas de acordo com as intenções do Ministério dos Negócios Estrangeiros, queremos reforçar a presença cultural de Portugal no Luxemburgo, e dar também um salto qualitativo no sentido de se fazerem menos iniciativas mas com mais impacto, mais visibilidade. Já tenho luz verde para organizar um festival de cinema português, em princípio em Março do próximo ano, no cinema Utopia. Já há festivais de cinema espanhol, italiano, não percebo porque é que nunca se fez um festival português.
CONTACTO: Disse na segunda-feira passada, durante uma visita à ass ociação Amizade Portugal-Luxemburgo, que a comunidade portuguesa está numa encruzilhada. O que é que falta para conseguir a integração plena desta comunidade?
Embaixador: Falta formação escolar, ousadia e ambição. Os portugueses que cá estão têm de acreditar neles próprios, acreditar que podem ocupar mais cargos importantes, tanto profissionais como políticos. E isso passa por uma maior integração, sem perder as raízes. Uma forma de o alcançar é a dupla nacionalidade. É de todo o interesse dos portugueses adquirirem a dupla nacionalidade, porque lhes dá acesso desde logo à Função Pública.
Paula Telo Alves
A criação de uma escola portuguesa no Luxemburgo assustou as autoridades luxemburguesas e o projecto do Grupo Lusófona ficou em águas de bacalhau. Quem o diz é o embaixador de Portugal no Grão-Ducado. Um ano depois de chegar ao Luxemburgo, José Pessanha Viegas tem outros problemas entre mãos. A crise deixou 10 % dos portugueses no desemprego, que representam 32% do total de desempregados no país, e há muitos em situação precária. A baixa qualificação dos portugueses é outra das dores de cabeça do diplomata, para quem a comunidade portuguesa tem de ser "mais ambiciosa".
CONTACTO: Um ano depois de ter chegado ao Luxemburgo, que retrato faz da comunidade portuguesa?
Embaixador de Portugal no Luxemburgo: O retrato é positivo, com algumas nuances. É uma comunidade que tem duas vagas sucessivas, uma nos anos sessenta, outra mais recente. Curiosamente, é a vaga mais antiga que me dá mais preocupações. Estive hoje [N.d.R: a entrevista ao CONTACTO foi na quinta-feira da semana passada] com o ministro do Emprego e da Imigração, Nicolas Schmit, e fiquei a saber que 32 por cento do total de desempregados são portugueses, o que representa 10 % da população activa portuguesa. São pessoas que ainda não têm idade para a reforma e que estão em situação precária. São empregados pouco qualificados, e a crise no sector da construção afectou-os particularmente. O problema é que não dominam o francês escrito e nem sequer passam nos testes de admissão para poderem receber formação. A comunidade portuguesa funciona ainda muito em circuito fechado, e o Português é a língua utilizada no trabalho e na família. Uma possibilidade que discuti com o ministro Nicolas Schmit seria fazer testes orais de admissão. A outra é dar formação em português, com a colaboração do instituto de formação profissional equivalente em Portugal.
CONTACTO: É um projecto que foi proposto pelo sindicato OGB-L há mais de um ano. O que é que falta para pôr esta ideia em prática?
Embaixador: O ministro do Emprego mostrou uma grande abertura para esta possibilidade. Há que desenvolver os contactos com o IEFP (Instituto de Emprego e de Formação Profissional). Mas deixe-me dizer-lhe, ainda sobre a comunidade portuguesa, que é uma comunidade muito trabalhadora e muito integrada, por quem tenho muito apreço, mas que ainda tem alguns problemas de integração, sobretudo no ensino, por causa da barreira da língua.
CONTACTO: Apesar de o Ministério da Educação luxemburguês defender o ensino integrado da língua materna, continua a haver problemas para organizar os cursos de Português. Em Medernach, onde os cursos integrados foram suprimidos arbitrariamente há alguns anos e substituídos por aulas de Alemão, ainda este ano a escola propôs que as aulas de Português fossem dadas na cantina. Não há aqui um abismo entre o discurso oficial e a prática?
Embaixador: Julgo que não há nenhuma má intenção por parte do Ministério da Educação. Como sabe, as autarquias gozam de grande autonomia no ensino primário em relação ao Ministério da Educação. Penso que há um problema de coordenação entre a administração central e a local. São situações que herdámos e que temos de resolver. Posso garantir-lhe que é uma situação que vamos discutir com a ministra da Educação, com quem temos uma reunião dia 7 de Dezembro.
ESCOLA PORTUGUESA "ASSUSTOU" AUTORIDADES
CONTACTO: Em que fase está a criação de uma escola portuguesa no Luxemburgo? Foi uma proposta do Grupo Lusófona feita há mais de um ano que nunca mais teve resposta.
Embaixador: Foi um dos temas abordados [com a ministra da Educação]. Disse-me que não tinham acolhido essa iniciativa com bons olhos. O próprio Grão-Duque falou-me nisso quando fui apresentar credenciais, há um ano. Veja que este assunto chegou ao mais alto nível. Eu penso que [o projecto não foi bem recebido] devido à própria dimensão da comunidade portuguesa e do esforço de integração desta comunidade no ensino oficial, e dou-lhes razão: a via para a integração da comunidade portuguesa passa pela língua, sem perder as suas raízes ou a sua cultura.
CONTACTO: Mas não há aí desde logo discriminação em relação a outras escolas privadas em língua estrangeira que já existem no Luxemburgo?
Embaixador: Há o Liceu Francês e a Escola Internacional, mas não se esqueça que o Francês é uma das línguas oficiais do país.
CONTACTO: Mas há também uma escola holandesa e até já houve um colégio japonês, ambos subsidiados pelo Estado luxemburguês. A lei prevê a criação e o apoio de escolas internacionais privadas, não é ilegal recusar uma escola portuguesa?
Embaixador: Penso que não houve abertura oficial das autoridades, porque a resposta foi negativa e porque se assustaram com a dimensão da comunidade portuguesa. É um problema de que nunca mais se voltou a falar. O próprio secretário de Estado das Comunidades Portuguesas não voltou a abordar o assunto, e estou em crer que a própria Lusófona desistiu da ideia – pelo menos nunca mais abordaram essa questão.
CONTACTO: O CONTACTO soube esta semana que o Ministério da Educação luxemburguês recusa dar equivalência aos estudos secundários efectuados em Portugal. O que é que a Embaixada de Portugal está a fazer para resolver este assunto?
Embaixador: Não é só no ensino secundário, há também problemas de reconhecimento de equivalências no ensino superior. É uma das questões que vai ser discutida com a ministra da Educação luxemburguesa no dia 7 de Dezembro. Posso admitir que haja diferenças entre os sistemas de ensino dos dois países, mas não percebo que haja dificuldades de equivalência. Mas devo dizer que o relacionamento com a ministra da Educação é muito bom. Estou em crer que há aí um problema de interpretação de documentos que temos de ver se esclarecemos.
"O LUXEMBURGO
FUNCIONA BEM DEMAIS"
CONTACTO: Portugal e o Luxemburgo dizem sempre ter óptimas relações, juram amor eterno, mas depois há barreiras enormes à integração dos imigrantes portugueses.
Embaixador: Amor há, não é é eterno [risos]. O problema no Luxemburgo é que é um país que funciona muito bem, funciona até bem demais. Há muitas regras: o Luxemburgo tem uma organização impecável, é extremamente bem organizado, mas talvez essas regras sejam excessivamente rígidas, e essa rigidez pode dificultar a resolução dos problemas. Mas a nível superior encontrei a maior abertura por parte dos responsáveis e dos ministros. Sobre o problema do desemprego dos portugueses, já falei com o ministro das Finanças, Luc Frieden, com o ministro Claude Wiseler, ministro do Ordenamento do Território – que é casado com Isabel Wiseler, de origem portuguesa –, e hoje com o ministro do Emprego, Nicolas Schmit, e encontrei sempre a maior abertura. Evidentemente que é um país com uma mentalidade diferente, porque há regras e elas têm de ser respeitadas. Mas a comunidade portuguesa também tem de se ajudar a si própria. Não é normal que uma comunidade que representa sensivelmente 16 % da população tenha tão poucos quadros, tão poucos médicos e tão poucos políticos: só há um deputado luso-descendente, o Félix Braz. A comunidade portuguesa tem de ser mais ambiciosa, mas é um passo que só pode ser dado pela segunda geração, que já fala as línguas do país.
CONTACTO: Um ano depois de ter chegado ao Luxemburgo, uma das críticas que lhe fazem é a falta de visibilidade. Não o vemos.
Embaixador: Acho que as pessoas fazem confusão com as funções de um embaixador. Que me perdoem se não vou aos bailaricos, mas a função do embaixador é zelar pelos interesses da comunidade junto das autoridades, e representar as autoridades portuguesas no Luxemburgo. Posso assegurar-lhe que estou a trabalhar.
CONTACTO: Os imigrantes portugueses sentem-se o parente pobre em Portugal e no estrangeiro: há vários problemas que nunca chegam a ser resolvidos.
Embaixador: As várias comunidade s têm sempre a ideia de que são um parente pobre. Já em Toronto, onde fui cônsul, e onde há uma comunidade portuguesa muito maior, queixavam-se do mesmo. Mas posso garantir-lhe que as autoridades portuguesas acompanham os problemas da comunidade portuguesa no Luxemburgo e que Lisboa está ao corrente de tudo o que se passa. A comunidade portuguesa no Luxemburgo é uma das comunidades de eleição do secretário de Estado das Comunidades. No 10 de Junho, na impossibilidade de vir cá o secretário de Estado do Comércio, o secretário de Estado das Comunidades decidiu vir ele próprio pelo apreço que tem pela comunidade. E considero até que a comunidade portuguesa no Luxemburgo está beneficiada: tem um Serviço de Ensino, um Centro Cultural, uma Embaixada, um Consulado.
CONTACTO: Que está sem cônsul de sde Agosto e que tem problemas de pessoal.
Embaixador: O novo cônsul cheg a na sexta-feira e está a decorrer um concurso para recrutamento de pessoal. O Consulado Geral foi muito bem montado pela Dra. Cristina Almeida, mas não é fácil atender 200 pessoas por dia.
NOVAS INSTALAÇÕES DO INSTITUTO CAMÕES À ESPERA DE DINHEIRO
CONTACTO: Uma das críticas feitas ao Instituto Camões é a falta de v isibilidade. Há um ano, foi anunciado que o Estado português pensava arrendar o espaço no rés-do-chão do prédio onde está. O contrato já foi assinado?
Embaixador: O problema são as dificuldades financeiras e orçamentais. O ministro dos Negócios Estrangeiros está muito interessado nisso, mas estamos dependentes do orçamento do próprio Instituto Camões, e como sabe, Portugal debate-se com alguns problemas orçamentais. Mas de acordo com as intenções do Ministério dos Negócios Estrangeiros, queremos reforçar a presença cultural de Portugal no Luxemburgo, e dar também um salto qualitativo no sentido de se fazerem menos iniciativas mas com mais impacto, mais visibilidade. Já tenho luz verde para organizar um festival de cinema português, em princípio em Março do próximo ano, no cinema Utopia. Já há festivais de cinema espanhol, italiano, não percebo porque é que nunca se fez um festival português.
CONTACTO: Disse na segunda-feira passada, durante uma visita à ass ociação Amizade Portugal-Luxemburgo, que a comunidade portuguesa está numa encruzilhada. O que é que falta para conseguir a integração plena desta comunidade?
Embaixador: Falta formação escolar, ousadia e ambição. Os portugueses que cá estão têm de acreditar neles próprios, acreditar que podem ocupar mais cargos importantes, tanto profissionais como políticos. E isso passa por uma maior integração, sem perder as raízes. Uma forma de o alcançar é a dupla nacionalidade. É de todo o interesse dos portugueses adquirirem a dupla nacionalidade, porque lhes dá acesso desde logo à Função Pública.
Paula Telo Alves
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Crónica luxemburguesa - Jornal Contacto
Crónica luxemburguesa: Há festa na aldeia! ('t ass Kiirmes am Duerf)
do Jornal CONTACTO - O Blogue de CONTACTO
As típicas salsichas grelhadas (que já não podem ser denominadas "Thüringer", porque as "verdadeiras Thüringer" vêm da região alemã da Turingia e só ali é que esse nome lhes pode ser dado), são o petisco ideal para acompanhar a cervejinha da praxe numa verdadeira festa luxemburguesa Foto: Serge Waldbillig
Vamos, pois, tentar perceber (probéieren ze verstoen) qual é a origem de todas (vun all) essas festas (deene Fester) pelo Luxemburgo fora, em que de Norte (Norden) a Sul (Süden) e de Este (Osten) a Oeste (Westen), as bandas de música percorrem as ruas (ginn duerch d’Stroossen) tocando a marcha dos carneiros (Hämmelsmarsch*) uma melodia tradicional e de circunstância e onde (a wou) no largo da igreja uns pequenos carrosséis e umas barraquinhas com jogos (mat Spiller) fazem (maachen) a alegria (d’Freed) das criancinhas (kleng Kanner; Kënnercher) . Outros stands com (mat) as típicas salsichas grelhadas (gegrillt) (que já não podem ser denominadas "Thüringer", porque (well) as "verdadeiras Thüringer" vêm da região (kommen aus der Regioun) alemã da Turingia e que só ali (an dat nëmmen do) é que esse nome lhes pode ser dado), são o petisco ideal para acompanhar a cervejinha (Béierchen) da praxe.
Pois bem, o termo "Kiirmes" tem origem nas palavras Kierch (igreja) e Mass (missa). Trata-se, pois, de uma tradição de cariz religioso que tem por origem o dia (den Dag) em que as igrejas foram consagradas e colocadas sob a protecção de um santo (helleg) . Obviamente (natiirlech) , esse acontecimento (Ereegnes) foi definido como dia de festa, tendo daí (vun do) surgido o costume de festejar essa consagração no Domingo (Sonndeg) a seguir (nom) ao dia do santo padroeiro. Assim, a localidade cuja igreja foi consagrada a S.João tem a sua festa no Domingo a seguir ao dia de S. João (Gehaansdag) e a aldeia cuja igreja está sob a protecção de S. Martinho, tem a sua "Kiirmes" no Domingo a seguir ao dia de S. Martinho (Mäertesdag) . No decorrer dos tempos (am Laf vun der Zäit) esta tradição religiosa foi-se perdendo a pouco e pouco (lues a lues) e o que, no início, era a festa da "Missa da Igreja" tornou-se numa festa que nada tem a ver (déi guer näischt ze dinn huet) com a sua origem religiosa.
Aliás (iwregens) , a nossa palavra "quermesse" tem exactamente (huet genau) a mesma origem, neste caso (an dësem Fall), vinda das palavras flamengas "Kerk" (igreja) e "Mis" (missa). Tal (esou) como a maior parte (ewéi déi meescht) das tradições que se confundem emocionalmente com as próprias pessoas, esta tradição da "Kiirmes" atravessou o Atlântico com (mat) os 70.000 luxemburgueses (Lëtzebuerger), (um quinto da população do Grão-Ducado !) que (déi) , entre (zwëschen) 1870 e 1930, rumaram em direcção aos Estados Unidos (Vereenegt Staaten) em busca de uma vida melhor – tal como nós (esou wéi mir) o fizemos até ao Luxemburgo há 40 anos atrás (viru véierzeg Joer) .
As dificuldades (d’Schwiergkeeten) de adaptação à vida num outro continente, as privações e as saudades do país (Land), fizeram, durante (während) dezenas de anos, renascer lá longe, em terras americanas, esta tão genuína "Kiirmes am Duerf" luxemburguesa. E foi assim que, durante duas ou três (zwou oder dräi) gerações, essas famílias se reuniram para festejar (fir ze feieren) as festas do seu torrão natal. E, até os Jhang (João) luxemburgueses terem passado a chamar-se "John" e os Wilhelm se terem transformado em "William" e que dos Jakob tenham surgido os "Jack", o dia das quermesses de Bascharage (Nidderkäerjeng) , de Wiltz (Woltz), de Koerich (Käerch) ou de Heffingen (Hiefenech) foram sempre celebrados com pompa e circunstância do outro lado (aner Säit) do Atlântico (vum Atlantik) .
Aos descendentes (Nokommen) desses pioneiros luxemburgueses que já não (net méi) falam (schwätzen) a língua (d’Sprooch) dos antepassados, nem conhecem (a net kennen) a maior parte das suas tradições, restam-lhes (bleift hinnen) apenas (nëmmen) as fotografias (d’Fotoen) "dessas festas antigas dos avós (Grousselteren) " e os arquivos históricos dessa imigração onde (wou) podem ler (kënne liesen) que, por exemplo (zum Beispiel) , em Adrian, no estado americano de Minesota, os luxemburgueses de Kehlen (Kielen) celebraram a "Kiirmes" a 24 de Novembro de 1903.
Mas, em Chicago, a "Schueberfouer" continua ainda (nach) a ser festejada pela "Confraria dos Luxemburgueses da América" cuja associação genealógica tem vindo a manter essa tradição que se impôs como uma festa local ligada à festa das colheitas.
(*) Não se sabe ao certo qual é a origem desta melodia, mas parece ser uma reminiscência da música dos carrilhões do palácio do Conde de Mansfeld, situado em Clausen. A história dos carneiros remonta ao século XVII quando, na Schueberfouer, os membros da Confraria de S. Sebastião ganharam um carneiro ao jogo das quilhas. Foi, pois, com alegria que, ao som da música, formaram um cortejo passeando o carneiro pelas ruas da cidade. Ainda hoje a abertura da "Schueberfouer" conta com a presença dos ditos bichinhos que trazem ao pescoço fitas azuis e vermelhas. Nas aldeias, a "Marcha dos carneiros" é simplesmente tocada pela fanfarra que, de porta em porta, vai fazer o peditório. Se o donativo atingir um certo montante, os músicos oferecem uma melodia suplementar, a chamada "Tusch".
Maria Januário
(Rubrica de civilização, cultura e língua luxemburguesas, publicada na segunda e na quarta semana de cada mês; Próxima publicação a 8 de Dezembro)
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Crónica luxemburguesa: A pedra do diabo e a donzela do Vale do Moleiro
do Jornal CONTACTO - O Blogue de CONTACTO
Em tempos recuados, quando ainda (nach) não havia Internet, nem jogos (Spiller) electrónicos, nem sequer (mol net) electricidade, inventavam-se histórias (Geschichten) e lendas (Seechen) para (fir) alimentar a imaginação dos homens (Mënschen) e até mesmo para justificar certos "mistérios" sobre curiosidades da natureza (Natur) para as quais não havia explicação, nem conhecimentos apropriados que pudessem resolver tais questões (Froen) .Assim (esou) , uma lenda do vale do Mosela atravessou os séculos e chegou até (bis) nós para percebermos (verstoen) o porquê (firwat) de umas pedras (Steng) enormes que se encontram espalhadas pela colina (Hiwwel) de Grevenmacher (Gréiwemaacher) ...
Já lá vai muito tempo que, entre (zwëschen) Grevenmacher e Manternach existiu um grande (grouss) bloco monolítico cuja origem, ali (do) , naquele (op däer) sítio (Plaz) , gerou muitas perguntas (Froen) . No decorrer dos anos (Joeren) essa pedra fragmentou-se em vários blocos e com o decorrer do tempo, o sol (d’Sonn) e a chuva (de Reen) , deixaram nelas marcas gravadas, tal como se fossem pegadas de animais (Déieren) . Assim começou a história da pedra do Diabo (Däiwel) ... Pois bem, o maligno ouviu dizer (soen) que em Trier iam construir (bauen) uma (eng) grande torre (Tuerm) , um miradouro, que lhe seria inteiramente (ganz) consagrado. É certo (secher) que, tal facto, só o podia enaltecer. Desejando contribuir pessoalmente (perséinlech) para a dita obra de arte (Konschtwierk) que lhe iam erigir, veio-lhe à ideia levar (matbréngen) para lá uma enorme pedra, que fosse muito bonita (ganz schéin) e que pudesse servir de pedra de fundação desse seu grandioso monumento. Não lhe foi difícil (et wor him net schwéier) encontrar (fannen) a pedra mais bonita que havia – ele sabe tudo (hie weess alles) – e, com ela às costas, lá foi a caminho de Trier (Tréier) . Ao chegar a Grevenmacher, um viajante perguntou-lhe porque transportava carregamento tão pesado. Ao ouvir (héieren) a razão (de Grond) o homem explicou-lhe que o tinham enganado, que o que estavam a começar (ufänken) a construir em Trier não era nenhum (keen) miradouro, nem monumento algum em sua honra, mas sim a catedral daquela cidade (Stad) . Calcule-se como o diabo ficou... Zangado, e cheio de raiva, subiu ao outeiro da cidade, deitou o bloco de pedra ao chão e com um ódio tremendo para com os humanos dançou a noite (d’Nuecht) inteira sobre aquelas "malditas" pedras (Steng) . Assim, eis a razão pela qual, ainda hoje (nach haut) se podem lá ver gravadas as pegadas do diabo...
Em (am) Müllerthal (Mëllerdall = vale do moleiro) a donzela Griselinde vivia no seu castelo (Schlass) em companhia da fada (Fee) "Harmónica" que lhe tinha ensinado não só (net nëmmen) a cantar (sangen) melodias maravilhosas (wonnerschéin) , mas (awer) que também (och) lhe tinha dado um poder mágico: a magia da sua voz (Stëmm) transformava em pedra todos aqueles (all déi) que ficassem indiferentes ao encanto das suas melopeias. Esta era a melhor maneira de encontrar o verdadeiro "príncipe encantado" que mereceria a sua beleza (Schéinheet) e os seus dons excepcionais. Foi assim (et wor esou) , que dezenas de nobres cavaleiros, indiferentes a uma voz tão bela, foram transformados em rochas e penedos, que hoje podemos (kënnen) ver (gesinn) espalhados pelo bosque (Bësch) de Müllerthal! Mas um dia, o cavaleiro de Folkendange ao passar por ali, ficou subjugado com um canto que provinha lá de cima do castelo. E (an) , não resistindo a tão lindo trinado, decidiu trepar por um rochedo para ir ver (fir kucken ze goen) quem entoava melodia tão bela. Só que, coitado (den aarmen) , com a sua armadura e a sua espada (Schwäert) tão pesada (schwéier) , não lhe foi possível (et wor him net méiglech) chegar lá acima – desiquilibrou-se e caiu numa falha profunda (déif) entre dois (zwee) enormes rochedos. Foi então que os gemidos do pobre cavaleiro, moribundo (am Stierwen) , no fundo do abismo, chegaram aos ouvidos da nobre donzela. Ela e os seus súbditos logo acorreram, tentando ver de onde vinham gemidos tão lancinantes. Chegando junto ao precipício e, ao ver o nobre cavaleiro, de quem logo se apaixonou, Grieselinde não conseguiu resistir a tão grande desgosto e sofrimento, vindo a falecer (stierwen) uns (e puer) dias (Deeg) depois (duerno) . E é assim que, desde (zënter) esse (deen) dia (Dag) , e logo que a Primavera (Fréijoer) chega, a donzela Grieselinde volta ao castelo onde (wou) não pôde ser feliz (glécklech) com o seu nobre cavaleiro (Ritter) para ali (do) entoar uma das suas sempre lindas melodias.
Maria Januário
(Rubrica de civilização, cultura e língua luxemburguesas, publicada na segunda e na quarta semana de cada mês na edição papel do jornal CONTACTO)
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Crónica luxemburguesa: "Muhlenbach" - as sete fontes do moinho do riacho
do Jornal CONTACTO - O Blogue de CONTACTO
Quando (Wann) hoje passamos por Muhlenbach (Millebach; Millen = moinho; Baach = riacho) é (ass) difícil (schwéier) imaginar o que foi aquele (deen) vale da capital em tempos mais recuados.No local onde (wou) hoje se encontram as instalações da fábrica de faianças Villeroy & Boch existia um moinho (eng Millen) que acabou por dar (ginn) o nome (Numm) ao bairro que hoje conhecemos (kennen) .
Conta a lenda que a certa altura o caudal do riacho era tão fraco que o moinho estava parado uma grande parte do tempo, ocasionando assim grandes dificuldades ao pobre (aarm) moleiro que ali vivia com a mulher (Fra) , a filha (Duechter) e um aprendiz (Léierjong) .
Maria, filha única (eenzeg) do moleiro, bonita (schéin) e esperta, apaixonou-se pelo jovem moleirinho. Ele, rapaz inteligente e atractivo, a quem chamavam Blondin, concerteza (ganz bestëmmt) devido à sua cabeleira farta e loura, também (och) se apercebeu que a filha do seu mestre (Meeschter) não lhe era nada (guer net) indiferente... Assim, quando ela fez 18 anos (uechtzéng Joer) , Blondin pediu a mão da sua apaixonada ao moleiro. Só que, sem (ouni) outra (eng aner) explicação, o moleiro respondeu-lhe "sem (ouni) água (Wasser) e sem grão (Kär), o moinho pára". O pobre rapaz, embora esperto para o ofício (Beruff) , não entendeu o que o moleiro quis dizer e alguns tempos mais tarde voltou a pedir (froen) a menina (d’Meedchen) em casamento. Mas, a resposta (d’Äntwert) do moleiro de Millebach foi, mais uma vez (nach eng Kéier) , exactamente (genau), a mesma (d’selwecht) , e o pobre Blondin ficou sem saber o que o patrão queria (wollt) dizer (soen) com aquela frase (Saz) .
Se bem que a resposta não desse a entender uma aceitação do pedido de casamento, também não lhe parecia que se tratasse de uma recusa sem apelo. Aliás, como poderia tal acontecer? Era jovem (jonk) , belo, bem feito, honesto (éierlech) , não tinha defeitos de maior, tirando unicamente o facto de ser pobre, tão pobre como o pobre do seu patrão. Ora isso não podia ser uma razão para lhe recusar a mão (d’Hand) da filha. E, além do mais, o mestre-moleiro continuava a depositar-lhe inteira confiança, parecendo mesmo que tinha por ele uma certa afeição. Não encontrando explicação exacta para aquela recusa, decidiu ir consultar uma bruxa (Hex) contando-lhe o que pretendia e explicando a resposta que lhe tinha sido dada.
"Fácil (einfach) , respondeu a bruxa, o que o moleiro quer (wëllt) dizer é que sem água, não há hipótese de fazer mover o moinho nem de ganhar (verdéngen) dinheiro (Suen) para sustentar a família (d’Famill) e, não havendo água, os lavradores (d’Baueren) não trazem nem trigo (de Weess) nem milho (Mais) para moer (muelen) . Se (Wann) tu queres casar (bestueden) com Maria, tens de provar que a podes sustentar e que para isso és capaz de fazer chegar mais água ao riacho que faz funcionar o moinho". Como o rapaz (de Jong) não sabia (wousst net) muito bem (ganz gutt) como resolver a situação, logo a bruxa lhe propôs os serviços de um mágico que o podia (konnt) ajudar (hëllefen) – só era preciso que ele voltasse à meia-noite (Mëtternuecht) com um galo (en Hunn) preto (schwaarz) . E foi assim que o moleirinho lá foi ao encontro marcado. Só que logo se apercebeu que o dito mágico era, nem mais (net méi) nem menos (net manner) , que o diabo (den Däiwel) disfarçado. E, como em todas as histórias, o maligno quis fazer negócio em seu próprio (eegen) proveito. Ao princípio (am Ufank), o rapaz não quis ceder, mas, como estava tão apaixonado pela Maria Moleirinha, acabou por aceitar o que Satanás lhe propunha, isto é (dat heescht) , desviar para ali as águas que os ferreiros de Beaufort (Befert) utilizavam para fabricar as armas (Waffen) dos soldados (Zaldoten) . E (an) foi assim (et wor esou) que lhe prometeu reconhecimento eterno e a consagração do seu (vu sengem) primeiro (éischten) filho. No dia a seguir (duerno) , a água jorrou de sete (siwen) grandes tubos que apareceram a montante do moinho, ficando este logo prontinho a funcionar. A notícia (d’Neiegkeet) correu veloz (schnell) e de toda a parte veio gente carregada de sacos e sacos de cereais (Fruucht) para moer. Mais tarde (méi spéit) , soube-se que em Beaufort já não se faziam armas de qualquer espécie porque o riacho de lá tinha secado.
Quanto ao nosso moleirinho, inteligente como era, não quis de forma alguma manter a promessa feita ao diabo – o amor (d’Léift) que tinha por Maria, esse sim, era eternamente puro e não podia de forma alguma enviar os seus filhos para o Inferno (an d’Häll) . Deste modo, vendo assegurado o futuro (d’Zukunft) da sua amada, decidiu ficar solteiro (Jonggesell) e partiu, contente, para terras longínquas em busca de trabalho (Aarbecht) . E é assim que aquele sítio, ali (do) em Muhlenbach (op der Millebach) passou a chamar-se Sete Fontes (Septfontaines = Siwebueren) . Afinal, o moleirinho foi mais esperto do que o diabo!
Maria Januário
(Rubrica de civilização, cultura e língua luxemburguesas, publicada na segunda e na quarta semana de cada mês na edição papel do jornal CONTACTO)
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sábado, 21 de novembro de 2009
hoje vamos à ... Feira do Livro de Walferdange 2009
sábado, 21 de Novembro de 2009
Luxemburgo: Literatura e autores infanto-juvenis lusófonos na Feira do Livro de Walferdange, sábado e domingo
A literatura infanto-juvenil lusófona vai marcar presença na 15a edição da Feira do Livro de Walferdange ("Walfer Bicherdeeg", literalmente "Jornadas do Livro de Walferdange"), que decorre este sábado e domingo, 21 e 22 de Novembro, no Centro Cultural Prince Henri, naquela localidade.
A iniciativa pertence à associação Amizade Portugal-Luxemburgo (APL), uma das muitas que participa no evento com dois stands: no hall 1, com livros lusófonos, e no hall 2, com um stand para crianças.
Para animar o stand do hall 2, a APL convidou a escritora de livros para crianças Dulce Rodrigues (autora de obras como "A Aventura do Barry"), o historiador António Nogueira e a ilustradora luxemburguesa Andrée Staar.
A partir das 15h, no sábado e no domingo, Dulce Rodrigues vai convidar crianças e jovens para a uma viagem até ao mundo da matemática e das ciências, a partir de histórias bem conhecidas. A partir das 16h, Andrée Staar vai ler excertos do livro "O Macaco que queria ser gente", obra de Margarida Cachada (autora já falecida), em que assinou as ilustrações. A artista vai ainda ocupar-se de uma oficina de desenho. Nos dois dias, a partir das 17h, António Nogueira vai proceder à leitura de contos de Natal e animações interactivas e artísticas.
A Feira do Livro de Walferdange é um dos mais conceituados certames do género no país. Subordinado este ano ao tema "Natureza e Ambiente", será apresentada nesta edição a antologia "Com pontos verdes e riscos azuis. Textos sobre a Natureza e o Ambiente" ("Gréng getëppelt, blo gesträift. Texter iwwer Natur a Ëmwelt"), na qual participaram 22 autores do Grão-Ducado e da Grande Região. Estes últimos tentaram conceber o futuro do nosso planeta, em textos ora humorísticos, ora críticos e de reflexão.
Publicada por CONTACTO
A iniciativa pertence à associação Amizade Portugal-Luxemburgo (APL), uma das muitas que participa no evento com dois stands: no hall 1, com livros lusófonos, e no hall 2, com um stand para crianças.
Para animar o stand do hall 2, a APL convidou a escritora de livros para crianças Dulce Rodrigues (autora de obras como "A Aventura do Barry"), o historiador António Nogueira e a ilustradora luxemburguesa Andrée Staar.
A partir das 15h, no sábado e no domingo, Dulce Rodrigues vai convidar crianças e jovens para a uma viagem até ao mundo da matemática e das ciências, a partir de histórias bem conhecidas. A partir das 16h, Andrée Staar vai ler excertos do livro "O Macaco que queria ser gente", obra de Margarida Cachada (autora já falecida), em que assinou as ilustrações. A artista vai ainda ocupar-se de uma oficina de desenho. Nos dois dias, a partir das 17h, António Nogueira vai proceder à leitura de contos de Natal e animações interactivas e artísticas.
A Feira do Livro de Walferdange é um dos mais conceituados certames do género no país. Subordinado este ano ao tema "Natureza e Ambiente", será apresentada nesta edição a antologia "Com pontos verdes e riscos azuis. Textos sobre a Natureza e o Ambiente" ("Gréng getëppelt, blo gesträift. Texter iwwer Natur a Ëmwelt"), na qual participaram 22 autores do Grão-Ducado e da Grande Região. Estes últimos tentaram conceber o futuro do nosso planeta, em textos ora humorísticos, ora críticos e de reflexão.
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Aniversário da ASTI - Concerto do Coral Alice

Meus caros, a actuação do Coral Alice na festa da ASTI foi um sucesso. As reacções, comentários e os aplausos durante e no final da actuação assim o atestam.
Mais, os convites que nos foram endereçados e que rapidamente preencheram as nossas agendas pessoais foram gratificantes e espero que possamos retribuir tal confiança depositada em nós comparecendo em todas, todas mesmo.
Trata-se também de uma recompensa para nós, elementos do Coral e também para os nossos dois maestros! Um bem haja para ambos.
Para mais informações podem sempre aceder ao blog do semanário português Contacto:
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Nova actuação do Grupo Coral ALICE
Hoje actuamos mais uma vez, desta vez a propósito do aniversário da ASTI.
Vejam o que escreveu o semanário Contacto:
Para assinalar a data, a ASTI organiza hoje uma festa, a partir das 19h, na sua sede, em Eich (10-12, rue A. Laval), na cidade do Luxemburgo.
No programa está previsto um discurso do ministro da Imigração Nicolas Schmit sobre "desafios luxemburgueses e portugueses e políticos de Imigração", bem como leituras de personalidades como Jay Schiltz, chefe de redacção da rádio 100.7, Claude Frisoni, director do Centro Cultural da Abadia de Neumünster, e Guy Rewenig, escritor e co-fundador da ASTI.
Haverá ainda interlúdios musicais com o grupo coral português ALICE. "
Vejam o que escreveu o semanário Contacto:
Luxemburgo: ASTI faz hoje 30 anos
"A Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI) festeja hoje 30 anos. A ASTI foi criada em 18 de Novembro de 1979 e desde então milita a favor dos direitos dos trabalhadores estrangeiros a residir no Grão-Ducado.Para assinalar a data, a ASTI organiza hoje uma festa, a partir das 19h, na sua sede, em Eich (10-12, rue A. Laval), na cidade do Luxemburgo.
No programa está previsto um discurso do ministro da Imigração Nicolas Schmit sobre "desafios luxemburgueses e portugueses e políticos de Imigração", bem como leituras de personalidades como Jay Schiltz, chefe de redacção da rádio 100.7, Claude Frisoni, director do Centro Cultural da Abadia de Neumünster, e Guy Rewenig, escritor e co-fundador da ASTI.
Haverá ainda interlúdios musicais com o grupo coral português ALICE. "
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sábado, 31 de outubro de 2009
...de onde vem o Halloween?
in Semanário Contacto
Halloween: Uma tradição celta com 2.000 anos também celebrada no Luxemburgo e em Portugal
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Luxemburgo: Um em cada sete residentes no Grão-Ducado é pobre
O Luxemburgo já não é o que era . . .
In Semanário Contacto
Em termos práticos, são consideradas pobres, por exemplo, as pessoas que vivem sozinhas, com um rendimento mensal disponível que não ultrapasse os 1.546 euros, ou uma família composta por dois adultos e duas crianças com menos de 14 anos, cujo rendimento disponível não seja superior aos 3.246 euros. Nesta situação estão 13,4 % da população do Grão-Ducado.
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Luxemburgo: Um em cada sete residentes no Grão-Ducado é pobre
....Em termos práticos, são consideradas pobres, por exemplo, as pessoas que vivem sozinhas, com um rendimento mensal disponível que não ultrapasse os 1.546 euros, ou uma família composta por dois adultos e duas crianças com menos de 14 anos, cujo rendimento disponível não seja superior aos 3.246 euros. Nesta situação estão 13,4 % da população do Grão-Ducado.
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sábado, 17 de outubro de 2009
Coral ALICE - Associação Livre de Intervenção Cívica e Educativa
in semnário contacto 7 de outubro de 2009
Grupo Coral ALICE procura vozes
A Associação Livre de Intervenção Cívica e Educativa (ALICE) está à procura de vozes para os seu grupo coral. Os/as interessadas/dos podem juntar-se ao grupo que ensaia às quartas-feiras, das 21 às 22h30, na sede da ASTI (Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes), no nº12, rue Auguste Laval, na cidade do Luxemburgo. Mais informação pelo telefone +352 621 627 200.
Grupo Coral ALICE procura vozes
A Associação Livre de Intervenção Cívica e Educativa (ALICE) está à procura de vozes para os seu grupo coral. Os/as interessadas/dos podem juntar-se ao grupo que ensaia às quartas-feiras, das 21 às 22h30, na sede da ASTI (Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes), no nº12, rue Auguste Laval, na cidade do Luxemburgo. Mais informação pelo telefone +352 621 627 200.
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Luxemburgo: OLAI é o novo gabinete de apoio para estrangeiros
do Jornal CONTACTO - O Blogue de CONTACTO
Embora operacional desde Maio, o Gabinete Luxemburguês de Acolhimento e Integração (Office luxembourgeois de l'accueil et de l'intégration ou OLAI), foi oficialmente inaugurado na passada segunda-feira.
Embora operacional desde Maio, o Gabinete Luxemburguês de Acolhimento e Integração (Office luxembourgeois de l'accueil et de l'intégration ou OLAI), foi oficialmente inaugurado na passada segunda-feira.
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
jornal CONTACTO continua líder entre portugueses
in semanariocontacto.blogspot.com
«Sondagem TNS-Ilres
Com uma taxa de penetração de 56,4 %, o mais antigo semanário em português no Luxemburgo é mesmo mais lido que o l'Essentiel, o jornal gratuito distribuído nas ruas, e que reúne a preferência de 49,5 % dos portugueses.
Em terceiro lugar na tabela dos favoritos dos portugueses vem a RTPi, com 31,8 %, seguido do canal francês TF1, com 31,5 %. A Rádio Latina (grupo saint-paul) é quinto, com 29,1 %.
O CONTACTO é também líder entre os semanários de informação a nível nacional. Com 11 % de taxa de penetração entre a população global, o CONTACTO é o semanário mais lido no país, à frente do Jeudi, que se fica pelos 7,1 %.
Na tabela dos títulos com periodicidade semanal (segmento que inclui, além de jornais, também revistas), o CONTACTO só é ultrapassado pelas revistas Télécran (31,5 %), também editada pelo grupo saint-paul, e Revue (21,5 %), classificando-se ainda assim em terceiro lugar entre os títulos informativos mais lidos semanalmente a nível nacional. »
«Sondagem TNS-Ilres
O jornal CONTACTO (grupo saint-paul luxembourg) continua a ser o meio de comunicação preferido entre os portugueses e a população lusófona, segundo a última sondagem de TNS/ILRES Plurimédia, realizada pelos três principais editores do país (saint-paul, Editpress e IP-RTL).
Com uma taxa de penetração de 56,4 %, o mais antigo semanário em português no Luxemburgo é mesmo mais lido que o l'Essentiel, o jornal gratuito distribuído nas ruas, e que reúne a preferência de 49,5 % dos portugueses.
Em terceiro lugar na tabela dos favoritos dos portugueses vem a RTPi, com 31,8 %, seguido do canal francês TF1, com 31,5 %. A Rádio Latina (grupo saint-paul) é quinto, com 29,1 %.
O CONTACTO é também líder entre os semanários de informação a nível nacional. Com 11 % de taxa de penetração entre a população global, o CONTACTO é o semanário mais lido no país, à frente do Jeudi, que se fica pelos 7,1 %.
Na tabela dos títulos com periodicidade semanal (segmento que inclui, além de jornais, também revistas), o CONTACTO só é ultrapassado pelas revistas Télécran (31,5 %), também editada pelo grupo saint-paul, e Revue (21,5 %), classificando-se ainda assim em terceiro lugar entre os títulos informativos mais lidos semanalmente a nível nacional. »
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